Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
Concordância / Harmonia dos quatro Evangelhos (2)

Vida Pública de Jesus

Vocação profética de João Batista

| Lc 3, 1-2 |

No décimo quinto ano, porém, do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes tetrarca da Galileia, o seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e da região da Traconítide, e Lisânias tetrarca de Abilene, sob os sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.

Pregação de João Batista

| Mt 3, 1-12 | Mc 1, 2-8 | Lc 3, 3-18 |

Naqueles dias, porém, chega João Batista, pregando no deserto da Judeia. E veio por toda a região em torno do Jordão, pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados, {e} dizendo: «Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus!»; como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (conforme está escrito no profeta Isaías). Este é, pois, o que foi anunciado pelo profeta Isaías, dizendo: «Eis que envio diante da tua face o meu mensageiro, que preparará o teu caminho; voz do que clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo o vale se encherá, e todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos serão direitos, e os escabrosos se aplanarão; e toda a carne verá a salvação de Deus'».

Surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados.

Este João, porém, tinha a sua roupa de pelos de camelo e um cinto de couro em torno dos seus lombos; o alimento dele era gafanhotos e mel silvestre.

E então acorriam até junto dele Jerusalém e toda a região da Judeia e todos os de Jerusalém e toda a região em torno do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

E João estava vestido de pelos de camelo, e com um cinto de couro em redor dos seus lombos, e comendo gafanhotos e mel silvestre.

Vendo, porém, muitos dos Fariseus e dos Saduceus vindo ao seu batismo, disse-lhes, [e] dizia, pois, às multidões que vinham para serem batizadas por ele: «Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Fazei, pois, frutos dignos (fruto digno) de conversão, e não queirais dizer e não comeceis a dizer em vós mesmos: 'Temos Abraão por pai'. Pois vos digo que Deus pode destas pedras suscitar filhos a Abraão.

Também o machado, porém, já está posto à raiz das árvores. Toda a árvore, pois, que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo».

E as multidões interrogavam-no, dizendo: «Que faremos, pois?» Respondendo, porém, dizia-lhes: «Aquele que tem duas túnicas, dê ao que não tem, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo».

Vieram, porém, também uns Publicanos para serem batizados, e disseram para ele: «Mestre, que faremos?» Ele, porém, disse para eles: «Nada leveis além do que vos foi prescrito».

Interrogavam-no também uns soldados, dizendo: «E nós, que faremos?» E ele disse-lhes: «A ninguém molesteis, nem denuncieis falsamente; e contentai-vos com o vosso soldo».

Estando, porém, o povo na expectativa e pensando todos nos seus corações a respeito de João se porventura seria ele o Cristo, respondeu e pregava João, dizendo a todos: «Eu, na verdade, batizo-vos em água, para o arrependimento. Vem, porém, um mais poderoso do que eu, após mim, de quem não sou digno de desatar, inclinando-me, a correia dos seus calçados. Aquele, porém, que vem após mim é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de transportar os calçados.

Eu batizei-vos em água; ele, porém, batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Ele tem a pá na sua mão para limpar a sua eira e para recolher o trigo no seu celeiro; e limpará a sua eira e recolherá o seu trigo no celeiro, mas a palha queimá-la-á em fogo inextinguível».

Com muitas outras palavras, também, pois, exortando, anunciava o Evangelho ao povo.

Batismo de Jesus

| Mt 3, 13-17 | Mc 1, 9-11 | Lc 3, 21-22 |

E então, aconteceu que, naqueles dias, veio (chega) Jesus de Nazaré da Galileia ao Jordão, junto de João, para ser batizado por ele.

Mas João impedia-o, dizendo: «Eu preciso de ser batizado por ti e tu vens a mim?» Respondendo, porém, Jesus disse para ele: «Deixa agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça».

Então, deixa-o. E [Jesus] foi batizado no Jordão, por João.

Aconteceu, porém, tendo sido batizado todo o povo e estando Jesus batizado e a orar, abrir-se o Céu e descer o Espírito Santo em forma corpórea, como pomba, sobre ele; e fazer-se uma voz do Céu. Tendo, porém, sido batizado, Jesus subiu logo da água. E subindo logo da água, eis que se {lhe} abriram os Céus; e viu os Céus rasgados e o Espírito de Deus descendo como pomba {e} vindo sobre ele (descendo em direção a ele). E eis que uma voz se fez dos Céus, dizendo: «Tu és o meu Filho amado: em ti me agradei. (Este é o meu Filho amado, no qual me agradei.)»

Jesus tentado no deserto

| Mt 4, 1-11 | Mc 1, 12-13 | Lc 4, 1-13 |

E logo o Espírito o impele para o deserto. Então Jesus, porém, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e era levado pelo Espírito ao deserto: foi conduzido para o deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo Diabo. E estava no deserto, quarenta dias, tentado pelo Diabo, por Satanás. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, naqueles dias não comeu coisa alguma, e, terminados eles, depois teve fome.

I

E chegando o tentador, o Diabo, disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz que estas pedras se transformem em pães (diz a esta pedra que se transforme em pão)». E respondeu para ele Jesus (que, porém, respondendo, disse): «Está escrito que 'nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus'».

II - III

Então o Diabo leva-o à cidade santa (conduziu-o a Jerusalém), e colocou-o sobre o pináculo do templo e disse (diz)-lhe: «Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito que 'aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem'; e que 'eles te tomarão nas mãos, para que não firas o teu pé numa pedra'». E respondendo, disse (afirmou)-lhe Jesus que «Também está escrito (está dito): 'Não tentarás o Senhor teu Deus'».

III - II

Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto e, levando-o para cima, mostrou (mostra)-lhe todos os reinos da [terra] habitada (do mundo) e a glória deles, num momento do tempo. E disse-lhe o Diabo: «Dar-te-ei todo este poder e a glória deles, porque me foi entregue e dou-o a quem eu quero. Tu, pois, se adorares perante mim, será todo teu... Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares!» E então, respondendo, Jesus disse (diz)-lhe: «Vai-te, Satanás; porque está escrito: 'Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele prestarás culto'».

E, tendo acabado toda a tentação, então o Diabo deixou-o: afastou-se dele até ao tempo. E [Jesus] estava com os animais selvagens e eis que os anjos se aproximaram e serviram-no.

Testemunho de João Batista

| Jo 1, 19-28 |

E este é o testemunho de João, quando os Judeus enviaram {até junto dele} de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: «Quem és tu?» E confessou e não negou; e confessou que «Eu não sou o Cristo».

E perguntaram-lhe: «Então, quem és? És tu Elias?» E ele diz: «Não sou». «És tu o profeta?» E respondeu: «Não». Disseram-lhe, pois: «Quem és? Para podermos dar resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?» Afirmou [João]: «Eu sou a voz do que clama no deserto: 'Endireitai o caminho do Senhor', como disse o profeta Isaías».

E os que tinham sido enviados eram dos Fariseus. E interrogaram-no e disseram-lhe: «Porque batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?» Respondeu-lhes João, dizendo: «Eu batizo em água. No meio de vós está quem vós não conheceis: aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia do calçado».

Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava a batizar.

João aponta o Messias

| Jo 1, 29-34 |

No dia seguinte, vê Jesus, vindo até junto dele, e diz: «Eis o Cordeiro de Deus, que toma o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que se gerou diante de mim, porque era antes de mim. E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim, batizando em água».

E João deu testemunho, dizendo que «Vi o Espírito descer do Céu como pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse disse-me: 'Sobre quem vires o Espírito descer e permanecer sobre ele, esse é o que batiza no Espírito Santo'. E eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus».

Primeiros discípulos de Jesus e regresso à Galileia

| Jo 1, 35-51 |

No dia seguinte, João estava outra vez [ali] e dois dos seus discípulos e, vendo Jesus, que passava, diz: «Eis o Cordeiro de Deus!» E os dois discípulos dele ouviram e seguiram Jesus.

Voltando-se, porém, Jesus e vendo que o seguiam, diz-lhes: «Que procurais?» Eles, porém, disseram-lhe: «Rabbi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras?» Diz-lhes [Jesus]: «Vinde e vereis». Vieram, pois, e viram onde morava; e permaneceram com ele naquele dia. Era cerca da hora décima.

Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram João falar e o tinham seguido.

Este encontra primeiro o seu irmão Simão, e diz-lhe: «Encontrámos o Messias» (que, traduzido, quer dizer Cristo). Levou-o a Jesus. Fixando-o, Jesus disse: «Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas» (que quer dizer Pedro).

No dia seguinte, quis partir para a Galileia, e encontrou Filipe. E Jesus diz-lhe: «Segue-me». Filipe, porém, era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

Filipe encontra Natanael e diz-lhe: «Encontrámos aquele de quem escreveram Moisés na Lei e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré». E disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode haver coisa boa?» Diz-lhe Filipe: «Vem e vê».

Jesus viu Natanael vindo até ele, e diz dele: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não existe dolo!» Diz-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu Jesus e disse-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu vi-te».

Respondeu-lhe Natanael: «Rabbi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel». Respondeu Jesus e disse-lhe: «Porque te disse que te vi debaixo da figueira, acreditas? Verás coisas maiores do que estas». E diz-lhe: «Amém, amém, digo-vos: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem».

Bodas de Caná

| Jo 2, 1-11 |

E no terceiro dia, houve umas núpcias em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. Foi, porém, também convidado Jesus e os seus discípulos para as núpcias.

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus diz para ele: «Não têm vinho!...» {E} diz-lhe Jesus: «Que há entre mim e ti, mulher? Ainda não chegou a minha hora».

Diz a sua mãe aos serventes: «Fazei tudo quanto ele vos disser».

Estavam, porém, ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos Judeus, levando, cada uma, duas ou três metretas. Diz-lhes Jesus: «Enchei as talhas de água». E encheram-nas até cima. E [Jesus] diz-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». Eles, porém, levaram.

Quando, porém, o chefe de mesa provou a água feita vinho, e não sabia donde era (mas os serventes sabiam, que tinham tirado a água), o chefe de mesa chamou o noivo e diz-lhe: «Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já estiverem embriagados, então o inferior! Tu guardaste o bom vinho até agora!»

Isto fez início dos sinais de Jesus, em Caná da Galileia. E manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele.

Jesus vai habitar em Cafarnaum

| Jo 2, 12 |

Depois disto, desceu para Cafarnaum, ele, a sua mãe, os {seus} irmãos e os seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

Primeira expulsão dos vendilhões do templo

| Jo 2, 13-25 |

E estava próxima a Páscoa dos Judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados; e tendo feito um azorrague de cordas, lançou-os todos fora do templo, bem como as ovelhas e os bois; e espalhou o dinheiro dos cambistas, e virou as mesas; e disse aos que vendiam as pombas: «Tirai daqui estas coisas! Não façais da casa do meu Pai casa de negócio!»

Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: «O zelo da tua casa devorar-me-á».

Responderam, pois, os Judeus e disseram-lhe: «Que sinal nos mostras, de que fazes isto?» Respondeu Jesus e disse-lhes: «Derrubai este templo, e em três dias o levantarei».

Disseram, pois, os Judeus: «Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?» Mas ele falava do templo do seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que dissera isto, e acreditaram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito.

Estando, porém, ele em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos acreditaram no nome dele, vendo os sinais dele, que fazia. Mas o próprio Jesus não confiava neles, já que os conhecia a todos, e não necessitava de que alguém desse testemunho do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.

Encontro com Nicodemos

| Jo 3, 1-21 |

Havia, porém, entre os Fariseus um homem chamado Nicodemos, chefe dos Judeus.

Este foi até junto dele, de noite, e disse-lhe: «Rabbi, sabemos que vieste de Deus, [como] Mestre, pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele».

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Amém, amém, digo-te: Se alguém não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus». Diz Nicodemos para ele: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode entrar, pela segunda vez, no útero da sua mãe, e nascer?»

Jesus respondeu: «Amém, amém, digo-te: Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te ter dito: É-vos necessário nascer do Alto.

O vento sopra onde quer e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que nasceu do Espírito».

Respondeu Nicodemos e disse-lhe: «Como podem ser estas coisas?» Respondeu Jesus e disse-lhe: «Tu és mestre em Israel e ignoras estas coisas? Amém, amém, digo-te que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres e não acreditais; como acreditareis, se vos falar das celestes?

E ninguém subiu ao Céu senão o que desceu do Céu: o Filho do Homem. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele acredita tenha a vida eterna. Assim, pois, Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele acredita não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo, para que julgue o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

Quem acredita nele não é julgado; mas quem não acredita, já está julgado; porque não acreditou no nome do unigénito Filho de Deus. É, porém, este o julgamento: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas que a luz, porque as obras deles eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que sejam manifestas as suas obras, porque são feitas em Deus».

Último testemunho de João

| Jo 3, 22-36 |

Depois disto, veio Jesus e os seus discípulos para a terra da Judeia, e aí permanecia com eles e batizava.

João, porém, também estava a batizar em Enão, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham e eram batizados. Pois João ainda não fora lançado na prisão.

Surgiu, pois, uma contenda entre os discípulos de João com um judeu acerca da purificação. E vieram ter com João e disseram-lhe: «Rabbi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual deste testemunho, eis que ele batiza e todos vão até junto dele!»

Respondeu João e disse: «O homem não pode receber nada, se não lhe for dado do Céu. Vós mesmos me dais testemunho de que eu disse {que} não sou eu o Cristo, mas fui enviado antes dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está de pé e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Pois, esta minha alegria está completa.

É necessário que ele cresça e que eu diminua.

Aquele que vem de cima está sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do Céu {está sobre todos}; o que viu e ouviu, isso testemunha; e ninguém aceita o seu testemunho. Mas o que aceitar o seu testemunho, confirma que Deus é verdadeiro. Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; porque ele não dá o Espírito à medida.

O Pai ama o Filho, e entregou todas as coisas nas suas mãos. Quem acredita no Filho tem a vida eterna; o que, porém, não acredita no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».

Prisão de João Batista

| Lc (3, 19-20) |

O tetrarca Herodes, porém, sendo repreendido por ele por causa de Herodíades, mulher do seu irmão, e por todas as maldades que tinha feito, Herodes acrescentou a todas elas ainda esta {e} encerrou João na prisão.

Encontro com a samaritana

| Jo 4, 1-43 |

Quando, pois, Jesus soube que os Fariseus tinham ouvido dizer que «Jesus mais discípulos faz e batiza do que João» (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), deixou a Judeia e foi outra vez para a Galileia. Era-lhe necessário passar pela Samaria.

Vem, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacob deu ao seu filho José. Estava, porém, ali o poço de Jacob. Jesus, pois, cansado da viagem, sentou-se acima do poço. Era cerca da hora sexta.

Vem uma mulher da Samaria tirar água. Diz-lhe Jesus: «Dá-me de beber». (Pois os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.)

Diz-lhe, pois, a mulher samaritana: «Como é que tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim, sendo mulher samaritana?» (Porque os Judeus não se comunicam com os Samaritanos.)

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu pedir-lhe-ias e ele dar-te-ia água viva».

Diz-lhe {a mulher}: «Senhor, nem tens uma vasilha e o poço é fundo; donde tens, pois, a água viva? És tu, porventura, maior que o nosso pai Jacob, que nos deu o poço, do qual também ele mesmo bebeu e os seus filhos e o seu gado?»

Respondeu Jesus e disse-lhe: «Todo o que beber desta água terá, novamente, sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; mas a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna». Diz para ele a mulher: «Senhor, dá-me essa água, para que não mais tenha sede, nem venha aqui tirá-la!»

Diz-lhe [Jesus]: «Vai, chama o teu marido e vem cá...» Respondeu a mulher e disse-lhe: «Não tenho marido». Diz-lhe Jesus: «Disseste bem que 'Não tenho marido'; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade!»

Diz-lhe a mulher: «Senhor... vejo que és profeta!...

Os nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar...»

Diz-lhe Jesus: «Acredita-me, mulher, que vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação é a partir dos Judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura os tais que o adoram. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade».

Diz-lhe a mulher: «Eu sei que o Messias vem (chamado o Cristo); quando ele vier, nos anunciará todas as coisas». Diz-lhe Jesus: «Sou eu, que falo contigo».

E, imediatamente, vieram os seus discípulos, e admiravam-se de que estivesse a falar com uma mulher. Todavia nenhum lhe disse: «Que procuras?» ou: «Porque falas com ela?»

A mulher deixou, pois, o seu cântaro e foi à cidade e diz àqueles homens: «Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto eu fiz; será ele, porventura, o Cristo?»

Saíram da cidade e vinham até junto dele.

Entretanto, os seus discípulos rogavam-lhe, dizendo: «Rabbi, come!» Ele, porém, disse-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». Diziam, pois, os discípulos uns aos outros: «Acaso alguém lhe trouxe de comer?»

Diz-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra. Não dizeis vós que ainda são quatro meses e vem a ceifa? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que estão brancos para a ceifa. Já quem ceifa recebe a recompensa e junta fruto para a vida eterna; para que o semeador e o que ceifa juntamente se regozijem. Porque nisto é verdadeira a palavra: Um é o que semeia e outro o que ceifa. Eu enviei-vos a ceifar o que não trabalhastes; outros trabalharam e vós entrastes no seu trabalho».

Muitos dos Samaritanos, porém, daquela cidade acreditaram nele, por causa da palavra da mulher, que testemunhava que «Ele disse-me tudo quanto fiz!»

Quando, pois, foram até junto dele, os Samaritanos rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais acreditaram por causa da palavra dele; e diziam à mulher que «Já não é pela tua palavra que nós acreditamos; pois agora nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, verdadeiramente, o Salvador do mundo».

Passados dois dias, porém, partiu dali para a Galileia.

Jesus recebido na Galileia mas rejeitado em Nazaré

| Lc 4, 14-30 | Jo 4, 44-45 |

E voltou Jesus para a Galileia no poder do Espírito; e a fama correu por toda a região acerca dele. E ele ensinava nas sinagogas deles, glorificado por todos.

E veio a Nazara [=Nazaré], onde fora criado, e entrou, segundo o seu costume, no dia de sábado, na sinagoga, e levantou-se para ler.

E foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. E desenrolando o livro, encontrou o lugar em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar pobres; enviou-me para proclamar a libertação a cativos e a vista a cegos, para pôr oprimidos em liberdade, para proclamar um ano de graça do Senhor».

E enrolando o livro, entregando-o ao servente, sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.

Começou, porém, a dizer para eles que «Hoje cumpriu-se esta Escritura aos vossos ouvidos». E todos lhe davam testemunho, e admiravam-se das palavras de graça que saíam da boca dele; e diziam: «Não é este o filho de José?»

E [Jesus] disse para eles: «Sem dúvida me direis esta parábola: 'Médico, cura-te a ti mesmo; tudo o que ouvimos teres feito em Cafarnaum, fá-lo também aqui na tua pátria'».

Jesus mesmo, pois, testemunhou que um profeta não tem honra na sua própria pátria. Disse, porém: «Amém, digo-vos que nenhum profeta é aceite na sua pátria. Em verdade, porém, vos digo: Havia muitas viúvas nos dias de Elias, em Israel, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, quando houve grande fome por toda a terra; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão em Serepta de Sidónia, a uma mulher viúva. E havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão Naaman, o sírio».

E todos, na sinagoga, ao ouvirem estas coisas, ficaram cheios de ira e, levantando-se, expulsaram-no da cidade e levaram-no até ao despenhadeiro do monte em que a cidade deles estava edificada, para o precipitarem.

Ele, porém, passando pelo meio deles, ia.

Assim, pois, que chegou à Galileia, os Galileus receberam-no, pois tinham visto todas as coisas que fizera em Jerusalém na festa; pois também eles tinham ido à festa.

Cura do filho de um funcionário, em Caná

| Jo 4, 46-54 |

Veio, pois, outra vez a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho.

E havia certo funcionário régio, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

Este, quando soube que Jesus tinha vindo da Judeia para a Galileia, foi até junto dele, e rogava-lhe que descesse e curasse o seu filho; pois estava a morrer.

Disse, pois, Jesus para ele: «Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais». Diz para ele o funcionário régio: «Senhor, desce antes que o meu filho morra!»

Diz-lhe Jesus: «Vai: o teu filho vive». O homem acreditou na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu.

Quando ele já ia a descer, saíram-lhe ao encontro os seus servos, dizendo que o seu filho vivia. Perguntou-lhes, pois, a que horas começara a melhorar. Disseram-lhe, pois, que «Ontem, à hora sétima, a febre deixou-o». Conheceu, pois, o pai ser aquela a hora em que Jesus lhe dissera: «O teu filho vive»; e acreditou ele e toda a sua casa.

Este {porém} foi o segundo sinal que Jesus fez, ao voltar da Judeia para a Galileia.

Jesus estabelece-se em Cafarnaum

| Mt 4, 12-17 | Mc 1, 14-15 |

Depois, porém, que João foi entregue, ouvindo, porém, que João fora entregue, retirou-se [e] veio Jesus para a Galileia.

E deixando Nazara [=Nazaré], vindo, habitou em Cafarnaum, junto ao mar, nos confins de Zabulão e de Naftali; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, dizendo: «Terra de Zabulão e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios... o povo que estava sentado nas trevas viu uma grande luz, e aos que estavam sentados na região e na sombra da morte, levantou-se uma luz».

Desde então, começou Jesus a pregar, pregando o Evangelho de Deus e a dizer, dizendo que «O tempo completou-se e está próximo o Reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, pois está próximo o Reino dos Céus!»

Chamamento dos quatro primeiros discípulos, junto ao lago

| Mt 4, 18-22 | Mc 1, 16-20 |

Caminhando, porém, e passando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e André, irmão dele (de Simão), os quais lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse (diz)-lhes Jesus: «Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens».

E eles, porém, deixando imediatamente (logo) as redes, seguiram-no.

E, avançando um pouco daí, viu outros dois irmãos: Tiago, [filho] de Zebedeu, e o seu irmão João, também eles no barco, com Zebedeu, o pai deles, consertando as suas redes; e chamou-os logo.

E eles, porém, deixando imediatamente o barco e o pai deles, Zebedeu, no barco com os empregados, seguiram-no: foram atrás dele.

Cura de um possesso na sinagoga de Cafarnaum

| Mc 1, 21-28 | Lc 4, 31-37 |

E desceu e entram em Cafarnaum, cidade da Galileia.

E, logo ao sábado, indo ele à sinagoga, ensinava: estava a ensiná-los ao sábado. E maravilhavam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade: porque os ensinava como tendo autoridade e não como os Escribas.

E logo havia, na sinagoga deles, um homem com um espírito imundo (tendo o espírito de um demónio imundo); e gritou em voz alta, dizendo: «Ah! Que há entre nós e ti, Jesus, nazareno? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!...»

E Jesus ameaçou-o, dizendo: «Cala-te e sai dele!»

E o espírito imundo, convulsionando-o e clamando em voz alta — e tendo-o lançado o demónio para o meio — saiu dele, não lhe fazendo mal nenhum.

E fez-se medo entre todos, e todos se maravilharam; de modo que se interrogavam uns aos outros e perguntavam entre si, dizendo: «Que é isto? Que palavra é esta? Uma nova doutrina com autoridade?! Pois ele ordena com autoridade e poder também aos espíritos imundos, e obedecem-lhe e saem!»

E correu logo a sua nomeada por toda a região da Galileia. E divulgava-se a sua fama por todo o lugar da região.

Cura da sogra de Simão Pedro

| Mt (8, 14-15 | Mc 1, 29-31 | Lc 4, 38-39 |

Levantando-se ele, porém, da sinagoga, e saindo eles logo da sinagoga, veio [e] entrou em casa de Simão e de André, com Tiago e João.

A sogra de Simão, porém, estava deitada com febre: estava com febre muito elevada; e logo lhe falam dela e rogaram-lhe por ela.

E tendo vindo Jesus a casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e com febre; e, aproximando-se, tocou a mão dela, levantou-a, tomando-a pela mão, e, inclinando-se para ela, repreendeu a febre. E a febre deixou-a e ela levantou-se; e, tendo-se levantado logo, servia-os (/-o).

Curas ao entardecer

| Mt 8, 16-17) | Mc 1, 32-34 | Lc 4, 40-41 |

Chegando, porém, a tarde, ao pôr do sol, tendo-se posto o sol, todos os que tinham enfermos de diversas enfermidades levavam-nos até junto dele: traziam até junto dele todos os enfermos e os possessos. Trouxeram-lhes muitos possessos. E toda a cidade estava reunida à porta.

E ele, porém, impondo as mãos em cada um deles, curava-os: curou muitos que padeciam de várias enfermidades; e expulsava os espíritos com uma palavra e expulsou muitos demónios; e curou todos os enfermos.

Saíam, porém, demónios de muitos, gritando e dizendo que «Tu és o Filho de Deus!» E, repreendendo, não deixava falar os demónios (não os deixava falar); pois sabiam que ele era o Cristo.

Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, dizendo: «Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças».

Jesus deixa Cafarnaum

| Mc 1, 35-38 | Lc 4, 42-43 |

Quando, porém, se fez dia, e de madrugada, ainda escuro, levantando-se, saiu e, tendo saído, foi (partiu) para um lugar deserto, e ali orava.

E Simão e os que estavam com ele procuravam-no; e, quando o encontraram, disseram-lhe que «Todos te procuram!» E [Jesus] diz-lhes: «Vamos por toda a parte, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; porque saí para isso».

E as multidões procuravam-no e vieram até ele e detinham-no, para que não se ausentasse delas. Ele, porém, disse para eles que «É necessário também às outras cidades eu evangelizar o Reino de Deus; porque para isso fui enviado».

Jesus prega em várias regiões

| Mt 4, 23-25 | Mc 1, 39 | Lc 4, 44 |

E percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles; e veio pregando o Evangelho do Reino nas sinagogas deles, por toda a Galileia, e curando toda a doença e toda a enfermidade entre o povo e expulsando os demónios. E estava pregando nas sinagogas da Judeia.

E a sua fama foi por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, possessos, lunáticos e paralíticos; e ele curou-os.

E seguiram-no grandes multidões da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

Pesca milagrosa

| Lc 5, 1-11 |

Aconteceu porém que, quando a multidão o apertava para ouvir a palavra de Deus, ele estava de pé junto ao lago de Genesaré; e viu dois barcos parados junto ao lago; os pescadores, porém, tendo descido deles, lavavam as redes.

Subindo, porém, ele para um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra. Sentando-se, porém, do barco ensinava as multidões.

Quando, porém, acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as vossas redes para a pesca». E, respondendo, Simão disse: «Chefe, tendo trabalhado a noite toda, nada apanhámos; mas, à tua palavra, lançarei as redes».

E tendo feito isto, apanharam uma grande quantidade de peixes; porém, as redes deles rompiam-se.

E acenaram aos companheiros que estavam no outro barco, para virem ajudá-los. E vieram, e encheram ambos os barcos, de modo que se afundavam.

Vendo, porém, Simão Pedro lançou-se aos joelhos de Jesus, dizendo: «Retira-te de mim, Senhor, porque sou um varão pecador!» Pois o temor cercara-o e a todos os que estavam com ele, na pesca dos peixes que apanharam; do mesmo modo, porém, também Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão.

E Jesus disse a Simão: «Não temas: de agora em diante serás pescador de homens».

E, levando os barcos para terra, deixando tudo, seguiram-no.

Cura de um leproso

| Mt (8, 2-4) | Mc 1, 40-45 | Lc 5, 12-16 |

E aconteceu que, estando ele numa das cidades, eis que vem até ele um leproso, um varão cheio de lepra. Tendo vindo, vendo, porém, Jesus, lançando-se com o rosto [por terra], adorava-o: rogou-lhe, suplicando-lhe, {e prostrando-se e} dizendo-lhe que «Senhor, se queres, podes limpar-me».

E, compadecido, estendendo a sua mão, tocou-o e disse-lhe, dizendo: «Quero: sê limpo». E imediatamente (logo) se afastou dele a lepra e ficou limpo: imediatamente ficou limpa a sua lepra.

E ele preceituou-lhe que a ninguém dissesse; mas, advertindo-o, Jesus logo o despediu, e diz-lhe: «Olha: não digas nada a ninguém, mas vai (indo), mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação a oferta que (o que) Moisés determinou (como Moisés determinou), em testemunho para eles».

Mas ele, tendo saído, começou a proclamar muito e a divulgar a palavra, de modo que [Jesus] já não podia entrar abertamente numa cidade, mas estava fora em lugares desertos. Divulgava-se cada vez mais, porém, a palavra acerca dele; e grandes multidões se juntavam para ouvirem e serem curadas das suas enfermidades; e de todos os lados iam até junto dele. Mas ele estava retirado para os desertos e orando.

Cura de um paralítico de Cafarnaum

| Mt (9, 2-8 | Mc 2, 1-12 | Lc 5, 17-26 |

E aconteceu que, tendo entrado outra vez em Cafarnaum, depois de alguns dias, num dos dias, ouviu-se [dizer] que estava em casa.

E juntaram-se muitos, de modo que já não cabiam nem diante da porta; e ele estava a ensinar e anunciava-lhes a palavra. E estavam sentados Fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia e da Judeia e de Jerusalém; e o poder do Senhor estava com ele para curar.

E eis que vêm trazendo até ele um paralítico transportado por quatro [homens]: Uns varões traziam-lhe um paralítico estendido num leito, transportando no leito o homem que era paralisado; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante dele. E não podendo aproximá-lo dele, não encontrando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subindo ao teto, descobriram o teto por cima do lugar onde estava e, perfurando, desceram o grabato em que jazia o paralítico: pelas telhas, desceram-no com a maca, no meio, diante de Jesus.

E Jesus, vendo a fé deles, disse (diz) ao paralítico: «Confia, filho! Homem, são-te perdoados os teus pecados».

E eis que estavam, porém, alguns dos Escribas ali sentados e pensando nos seus corações; e começaram a pensar os Escribas e os Fariseus [e] disseram entre si, dizendo: «Porque fala este assim? Este blasfema! Quem é este que diz blasfémias? Quem pode perdoar pecados senão só Deus?»

E Jesus, conhecendo logo no seu espírito os raciocínios deles, que assim raciocinavam dentro de si, vendo Jesus os pensamentos deles, respondendo, disse para eles (diz-lhes): «Para que pensais coisas más nos vossos corações? Porque raciocinais essas coisas nos vossos corações? Que é, pois, mais fácil dizer ao paralítico: São-te perdoados os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu grabato, e anda? Para que saibais, porém, que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados» — então, diz ao paralítico (disse ao paralisado) — «Digo-te: Levanta-te (levantando-te), toma o teu grabato (leito) e (tomando a tua maca) vai (passa) para tua casa».

E levantou-se e, tendo-se levantado (tendo-se erguido) imediatamente diante deles e tomando logo o leito em que jazia, saiu diante de todos e foi para sua casa, glorificando a Deus.

Vendo, porém, as multidões temeram e glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens. E a admiração tomou-os a todos, e glorificavam a Deus; e ficaram cheios de temor; de modo a admirarem-se todos e a glorificarem a Deus, dizendo que «Hoje vimos coisas extraordinárias! Nunca assim vimos!»

Vocação de Mateus Levi

| Mt 9, 9 | Mc 2, 13-14 | Lc 5, 27-28 |

E, depois disto, saiu novamente para junto do mar; e toda a multidão ia até junto dele, e ele ensinava-os.

E passando Jesus dali, viu e fixou um publicano de nome Levi, [filho] de Alfeu, um homem sentado na cobrança, chamado Mateus; e diz (disse)-lhe: «Segue-me».

E deixadas todas as coisas, e levantando-se, seguiu (seguia)-o.

Refeição com os pecadores, em casa de Levi

| Mt 9, 10-13 | Mc 2, 15-17 | Lc 5, 29-32 |

E Levi fez-lhe um grande banquete em sua casa.

E acontece estar ele à mesa, em casa dele. E aconteceu que, estando ele à mesa, em casa, eis que, tendo vindo muitos Publicanos e pecadores, sentavam-se juntamente com Jesus e os seus discípulos, e havia uma grande multidão de Publicanos e de outros que estavam com eles à mesa; pois eram muitos e seguiam-no.

E murmuravam os Fariseus e os Escribas deles (dos Fariseus) contra os discípulos dele, vendo que ele comia com os pecadores e os Publicanos. Diziam aos discípulos dele, dizendo: «Por que motivo (porque) come o vosso mestre com os Publicanos e com os pecadores? Por que motivo comeis e bebeis com os Publicanos e com os pecadores?»

E tendo ouvido, porém, Jesus, respondendo, disse para eles (diz-lhes) {que} «Não necessitam de médico os sãos (os saudáveis), mas os enfermos. Indo, porém, aprendei o que é: 'Quero misericórdia e não o sacrifício'. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento».

O jejum, o velho e o novo

| Mt 9, 14-17) | Mc 2, 18-22 | Lc 5, 33-39 |

Eles, porém, disseram para ele: «Os discípulos de João jejuam frequentemente e fazem orações, como também os dos Fariseus, mas os teus comem e bebem!» E os discípulos de João e os Fariseus estavam a jejuar. Então, chegam junto dele os discípulos de João; e vêm e dizem-lhe, dizendo: «Porque é que os discípulos de João e os discípulos dos Fariseus jejuam, porque é que nós e os Fariseus jejuamos {frequentemente}, mas os teus discípulos não jejuam?»

E disse-lhes Jesus (Jesus, porém, disse para eles): «Porventura podem os filhos das núpcias estar tristes [e] jejuar, enquanto o noivo está com eles? (Porventura podeis fazer jejuar os filhos das núpcias, enquanto o noivo está com eles?) Enquanto têm consigo o noivo, não podem jejuar. Virão porém dias, quando lhes for tirado o noivo; e (quando lhes for tirado o noivo) então jejuarão naqueles dias (naquele dia)».

Dizia, porém, também uma parábola para eles, que «Ninguém, rasgando um remendo de um vestido novo, [o] põe num vestido velho; de contrário, também romperá o novo, e o remendo do novo não condirá com o velho. Ninguém, porém, põe (cose) um remendo de pano bruto num vestido velho; de contrário, o remendo dele toma, pois, algo dele (do vestido), o novo do velho, e fará pior rasgão.

E ninguém deita (nem deitam) vinho novo em odres velhos; de contrário, o vinho novo romperá os odres: os odres rompem-se e o vinho derrama-se (ele derramar-se-á, perde-se), e os odres perder-se-ão (perdem-se); mas deitam (deve deitar-se) vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.

{E} ninguém, tendo bebido do velho, quer do novo; pois diz: 'O velho é bom!'»

Cura do paralítico da piscina de Betesda

| Jo 5 |

Depois disto, era uma festa dos Judeus; e Jesus subiu a Jerusalém.

Existe, porém, em Jerusalém, próximo à [porta] Probática, uma piscina, chamada em hebraico Bezata, tendo cinco pórticos. Nestes, jazia grande multidão de enfermos, cegos, coxos e ressequidos...

Estava, porém, ali certo homem, tendo trinta e oito anos na sua enfermidade. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim já há muito tempo, diz-lhe: «Queres ficar são?» Respondeu-lhe o enfermo: «Senhor, não tenho um homem que, ao ser agitada a água, me ponha na piscina! Enquanto eu vou, desce outro antes de mim!»

Diz-lhe Jesus: «Levanta-te, toma o teu grabato e anda». E imediatamente, o homem ficou são; e tomou o seu leito e andava.

Aquele dia, porém, era um sábado. Diziam, pois, os Judeus ao que fora curado: «É sábado, e não te é lícito tomar o teu grabato!» Ele, porém, respondeu-lhes: «O que me fez são, ele disse-me: 'Toma o teu grabato e anda'».

Interrogaram-no: «Quem é o homem que te disse: 'Toma e anda'?» Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se retirara da multidão que estava no lugar.

Depois, Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: «Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior!»

Retirou-se o homem, e anunciou aos Judeus que era Jesus quem o curara. E por isso os Judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas num sábado.

{Jesus} porém respondeu-lhes: «O meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também!» Por isso, pois, os Judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era o seu Pai, fazendo-se igual a Deus.

Jesus respondeu, pois, e dizia-lhes: «Amém, amém, digo-vos: O Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai a fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que ele mesmo faz; e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem quer. Pois, nem o Pai julga ninguém, mas deu ao Filho todo o julgamento, para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.

Amém, amém, digo-vos que quem ouve a minha palavra e acredita naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

Amém, amém, digo-vos que vem a hora, e é agora, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que ouvirem viverão. Pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter a vida em si mesmo; e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do Juízo.

Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é quem dá testemunho de mim; e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.

Vós enviastes [mensageiros] a João, e ele deu testemunho da verdade; eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto para que sejais salvos.

Ele era a lâmpada que ardia e iluminava; e vós quisestes alegrar-vos por um pouco com a sua luz. Mas eu tenho um testemunho maior do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que faço dão testemunho de mim que o Pai me enviou.

E o que me enviou, o Pai, ele mesmo deu testemunho de mim. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua imagem; e não tendes a sua palavra a permanecer em vós; porque vós não acreditais naquele que ele enviou.

Examinais as Escrituras, porque vós julgais ter nelas a vida eterna, e são elas que dão testemunho de mim; e não quereis vir a mim para terdes a vida!

Eu não recebo glória da parte dos homens; mas conheço-vos, que não tendes o amor de Deus em vós.

Eu vim em nome do meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, recebê-lo-eis! Como podeis vós acreditar, recebendo glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do único Deus?

Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai. É Moisés, em quem vós esperais, que vos acusa. Pois se acreditásseis em Moisés, acreditaríeis em mim; porque ele escreveu a respeito de mim. Mas, se não acreditais nos escritos dele, como acreditareis nas minhas palavras?»

As espigas arrancadas

| Mt (12, 1-8 | Mc 2, 23-28 | Lc 6, 1-5 |

Naquele tempo, foi Jesus ao sábado pelas searas.

E aconteceu porém que, num sábado, ao andar (passar) ele ao sábado pelas searas, os seus discípulos, porém, sentiram fome e começaram, seguindo o caminho, a arrancar (arrancando) as espigas e a comer; e os seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, esfregando-as com as mãos.

E os Fariseus, porém, vendo, disseram (diziam)-lhe: «Eis que os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer num sábado! Olha: porque fazem aos sábados o que não é permitido?» Alguns dos Fariseus, porém, disseram: «Porque fazeis o que não é permitido aos sábados?»

E respondendo para eles, Jesus, porém, disse (diz)-lhes: «Nunca (não, nem isto) lestes o que fez David, quando teve necessidade e teve fome, ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus, sendo Abiatar o sumo sacerdote, e, tomando, comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, que não lhe era lícito comer, nem aos que estavam com ele, senão só aos sacerdotes; e deu também aos que estavam com ele?

Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Digo-vos, porém, que aqui está quem é maior do que o templo.

Mas, se vós soubésseis o que é: 'Quero misericórdia e não sacrifício', não teríeis condenado os inocentes».

E dizia-lhes: «O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de modo que o Filho do Homem é, pois, senhor também do sábado».

Cura de uma mão seca

| Mt 12, 9-14 | Mc 3, 1-6 | Lc 6, 6-11 |

E saindo dali, aconteceu, porém, em outro sábado, entrar ele numa sinagoga e ensinar: Veio e entrou novamente na sinagoga deles.

E eis que estava ali um homem tendo uma mão ressequida (seca): a mão direita dele estava seca.

E observavam-no, porém, os Escribas e os Fariseus, para ver se o curaria aos sábados (no sábado); e interrogavam-no, dizendo se «É lícito curar aos sábados?» Para encontrarem de que o acusar, para o acusarem.

Mas ele conhecia os pensamentos deles e disse (diz) ao varão (ao homem) que tinha a mão seca: «Levanta-te, e fica em pé no meio». E ele, levantando-se, ficou em pé.

E disse, porém, Jesus para eles (diz-lhes): «Pergunto-vos se é lícito aos sábados (no sábado) fazer bem ou fazer mal; salvar uma vida, ou matar (perder)!» Eles, porém, calavam-se.

Ele, porém, disse-lhes: «Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha e se ao sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e tirá-la-á? Quanto mais vale, pois, um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem aos sábados».

E olhando em redor para todos eles com indignação, condoendo-se da dureza do coração deles, então diz ao homem (disse-lhe): «Estende a tua mão». Ele, porém, assim fez e estendeu, e foi-lhe restabelecida a sua mão, sã como a outra.

Mas eles encheram-se de furor; e pensavam uns com os outros sobre o que fariam a Jesus.

E os Fariseus, porém, tendo saído, fizeram (faziam) logo conselho com os Herodianos contra ele, sobre como o perderiam.

As multidões junto ao lago

| Mt 12, 15-21) | Mc 3, 7-12 |

E Jesus, porém, sabendo, retirou-se dali com os seus discípulos para junto do mar; e muitas {multidões} o seguiram. E uma grande multidão da Galileia {seguiu-o}, e da Judeia e de Jerusalém, e da Idumeia e de além do Jordão, e das proximidades de Tiro e da Sidónia, uma grande multidão, ouvindo falar de tudo quanto ele fazia, vieram até junto dele.

E disse aos seus discípulos que se lhe preparasse um barco, por causa da multidão, para que não o apertasse; porque curou muitos, de modo que todos os que tinham enfermidades lançavam-se a ele para lhe tocarem; e curou-os todos.

E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo que «Tu és o Filho de Deus!» E advertia (advertiu)-lhes com insistência que não o tornassem conhecido.

Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, dizendo: «Eis o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se agradou. Porei sobre ele o meu espírito, e ele anunciará aos gentios o juízo. Não contenderá, nem clamará, nem ninguém ouvirá nas avenidas a sua voz. Não esmagará a cana quebrada, e não apagará o morrão fumegante, até que leve o juízo à vitória. E os gentios esperarão no seu nome».

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 


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