Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
Subversão soviética da imprensa do mundo livre (3)

Bezmenov: Esta foto mostra parte do edifício da embaixada da União Soviética e os meus supervisores. À esquerda está o camarada Mehdi, um comunista indiano, e à direita está o camarada Mitrokhin, meus supervisores no departamento secreto de pesquisa e contrapropaganda. Não tem nada a ver nem com a pesquisa nem com a contrapropaganda. A maioria da atividade do departamento era compilar uma enorme quantidade (volume) de informação sobre indivíduos que eram instrumentais em criar opinião pública: editores, redatores, jornalistas, atores, educadores, professores de ciência política, membros do parlamento, representantes de círculos empresariais. A maioria destas pessoas estava dividida basicamente em dois grupos: Aqueles que apoiavam a política externa soviética seriam promovidos às posições de poder, através da manipulação de comunicação social e de opinião pública; aqueles que rejeitavam a influência soviética no seu país seriam assassinados no caráter ou [executados] fisicamente, vindo a revolução; da mesma maneira que na pequena cidade de Huê, no Vietname do Sul. Vários milhares de vietnamitas foram executados numa noite, quando a cidade foi capturada pelos vietcongues por apenas 2 dias e a CIA americana não conseguia entender como possivelmente os comunistas podiam saber de cada indivíduo (onde morava, onde prendê-lo) e seriam presos numa noite, basicamente umas 4 horas antes do amanhecer, colocados em furgonetas, levados para fora dos limites da cidade e fuzilados. A resposta é muito simples: muito antes de os comunistas ocuparem a cidade, havia uma rede extensa de informadores, cidadãos vietnamitas locais, que sabiam absolutamente tudo sobre pessoas que eram instrumentais em opinião pública, incluindo barbeiros e taxistas. Qualquer um que fosse simpático para os Estados Unidos era executado. A mesma coisa foi feita sob a tutela da embaixada soviética em Hanói, e a mesma coisa estava eu a fazer em Nova Deli. Para meu horror, descobri que nos arquivos de pessoas marcadas para execução estavam os nomes de jornalistas pró-soviéticos com quem eu tinha amizade pessoal.

Griffin: Pró-soviéticos?

Bezmenov: Sim! Eram esquerdistas de pensamento idealista que fizeram várias visitas à União Soviética, e, ainda assim, a KGB decidiu que, vindo a revolução ou mudanças drásticas na estrutura política da Índia, eles teriam de ir.

Griffin: Porquê?

Bezmenov: Porque sabem demais! Simplesmente, porque (veja bem) os idiotas úteis — os esquerdistas que acreditam idealisticamente na beleza do socialismo soviético, comunista ou o sistema que for — quando se desiludem, tornam-se os piores inimigos. Isto é porque os meus instrutores da KGB frisaram especificamente: «Nunca ligue para os esquerdistas. Esqueça essas prostitutas políticas. Olhe mais alto». Esta era a minha instrução: «Tente entrar na comunicação social de grande circulação, conservadora, estabelecida, cineastas ricos, podres de ricos, intelectuais, os ditos 'círculos académicos', pessoas cínicas e egocêntricas que podem olhar nos seus olhos com expressão angélica e contar-lhe uma mentira.» Estas são as pessoas mais recrutáveis, pessoas que carecem de princípios morais, que são ou ambiciosas demais ou que sofrem de autoimportância. Elas sentem que são muito importantes. Estas são as pessoas que a KGB queria muito recrutar.

Griffin: Mas eliminar os outros, executar os outros? Não teriam um propósito, não era para confiar nelas?

Bezmenov: Não. Só têm propósito no estágio de desestabilização de uma nação. Por exemplo, os seus esquerdistas nos Estados Unidos, todos esses professores e todos esses lindos defensores de direitos civis são instrumentais no processo de subversão, apenas para desestabilizar uma nação.

Quando o serviço deles está completo, não são mais necessários: sabem demais. Alguns deles, quando se desiludem, quando veem os marxistas-leninistas chegarem ao poder, obviamente, ficam ofendidos. Acham que vão para o poder. Isto nunca acontecerá (é claro): serão alinhados no paredão e fuzilados. Mas podem tornar-se os inimigos mais rancorosos dos marxistas-leninistas quando [estes] chegam ao poder.

E foi isto que aconteceu na Nicarágua: Lembra-se de que a maioria desses ex-marxistas-leninistas foi presa e um deles separou-se e agora trabalha contra os sandinistas. Aconteceu em Grenada, quando Maurice Bishop já era um marxista e foi executado por novos marxistas, que eram mais marxistas que este marxista. O mesmo aconteceu no Afeganistão, quando, primeiramente, foi Taraki, que foi morto por Amin; a Amin, que foi morto por Babrak Karmal, com ajuda da KGB. O mesmo aconteceu no Bangladesh, quando Munjibur Rahman, um esquerdista bem pró-soviético, foi assassinado pelos seus próprios camaradas militares marxistas-leninistas. É o mesmo padrão em todos os lugares. No momento em que cumprem o propósito deles, todos os idiotas úteis ou são executados inteiramente (os marxistas idealistas), ou exilados, ou metidos na prisão, como em Cuba (muitos ex-marxistas estão em Cuba, na prisão).

Então, a maior parte dos indianos que estava a cooperar com os soviéticos, especialmente com o nosso departamento de informação da embaixada da União Soviética, estava marcada para execução! E quando descobri este facto, passei mal (é claro)! Passei mal mentalmente, fisicamente… Achei que ia explodir, um dia, durante as instruções, no escritório do embaixador: Iria levantar-me e dizer algo como: «Somos basicamente um bando de assassinos! É o que somos. Não tem nada a ver com amizade e compreensão entre as nações e blá blá blá. Somos assassinos! Comportamo-nos como uma quadrilha de bandidos, num país que é hospitaleiro connosco, um país com tradições milenares». Mas não desertei. Tentei repassar a informação. Para meu horror, ninguém queria ouvir, ouvir ou acreditar no que eu tinha para dizer. Tentei todo o tipo de truques. Lançava informação por cartas ou documentos perdidos ou coisa assim. Ainda assim, não obtive mensagem; a mensagem não foi publicada, mesmo na comunicação social conservadora da Índia.

O impulso imediato para desertar foi a crise do Bangladesh, que foi descrita por correspondentes americanos como revolução islâmica comunitária, o que é puro engano. Não teve nada a ver com o Islão e não houve revolução comunitária. Aliás, não existem revoluções comunitárias. Ponto final. Toda a revolução é produto de um grupo altamente organizado: consciente e profissional e organizado, mas nada a ver com a comunidade. No Bangladesh, não teve nada de comunitário: A maior parte dos membros do partido da Liga Awami (Liga Awami significa «Partido do Povo») foi treinada em Moscovo, na escola superior do partido; a maior parte dos líderes Mukti Fauji (Mukti Fauji, em Bengali, significa «exército do povo»); o mesmo que SWAPO e todos os tipos de «exércitos de libertação» pelo mundo fora. O mesmo bando de idiotas úteis! Foram treinados na Universidade Lumumba e em vários centros da KGB em Simferopol, na Crimeia e Tashkent.

Então, quando vi territórios indianos a serem usados como trampolim para destruir o Paquistão Oriental, eu mesmo vi milhares dos ditos estudantes a viajar através da Índia, através do Paquistão Oriental, através do território da Índia, e o Governo da Índia fingia não ver o que estava a acontecer. Eles sabiam perfeitamente bem, a polícia indiana sabia, o departamento de inteligência do Governo indiano sabia, a KGB (é claro) sabia e a CIA sabia! Isso era o mais revoltante, porque quando desertei e expliquei aos interrogadores da CIA que deviam tomar cuidado porque o Paquistão Oriental iria estourar a qualquer momento, disseram que eu estava a ler muitos livros de James Bond.

Mas então, o Paquistão Oriental estava perdido. Um dos meus colegas no consulado soviético em Calcutá, quando estava completamente bêbado, foi para o porão para se aliviar e achou caixas grandes que diziam «Material impresso para a Universidade de Daca». Daca é a capital do Paquistão Oriental. E como estava bêbado e curioso, abriu uma das caixas e descobriu não material impresso; descobriu lá armas Kalashnikov e munição. De qualquer maneira, é uma longa estória. Quando vi as preparações para a invasão do Paquistão Oriental, obviamente queria desertar imediatamente. A única coisa que eu podia... Na época, não conseguia decidir quando, onde e como. Uma das razões (é claro, veja) é que eu estava apaixonado pela Índia. Já mencionei antes: falava as línguas, socializava-me com as pessoas. E entendi que tinha de agir rapidamente, a não ser que quisesse que esse lindo país fosse permanentemente e irreparavelmente danificado pela nossa presença.

Uma das razões para não desertar era (como pode ver): estava a viver em relativa afluência. Quem, diabos, em sã consciência iria desertar e fazer o quê?! Ser ofendido pela sua comunicação social? Ser chamado de macartista, fascista e paranoico? Ou para conduzir um táxi em Nova Iorque? Para quê? Para que diabos eu iria desertar? Para ser ofendido por americanos, ser insultado, em troca do meu esforço de levar informação verídica sobre o perigo iminente de subversão? Como pode ver, eu estava a viver em condições bem confortáveis, perto de piscinas (onde, aliás, indianos eram proibidos de entrar). Era um especialista em propaganda muito bem pago, tinha a minha família, era respeitado pela minha nação, a minha carreira estava limpinha. A terceira razão: como desertar com a família? Desertar com o bebé e a esposa seria praticamente suicídio porque, de acordo com a lei (aquela lei hipócrita de que falei antes), a polícia indiana teria de me entregar de volta para a KGB e este seria o fim da minha deserção e provavelmente da minha vida.

Novamente, não posso contrabandear a minha esposa porque ela não sabia bem o que eu estava a fazer. Ela não estava tão idealisticamente envolvida e definitivamente não estava por dentro do quadro geral do que eu estava a fazer para a KGB: ficaria chocada! Se eu a colocasse na minha furgoneta e a levasse para a embaixada americana ou outro lugar, isso seria um grande perigo. Então, novamente, tinha de desertar de tal maneira que a minha deserção parecesse simples desaparecimento. E houve muitos casos assim, quando um agente soviético simplesmente desaparecia, ou morto em serviço ou devido à sua curiosidade e ao seu contacto próximo com radicais. Aliás, alguns foram mortos pelos marxistas. Aconteceu em muitos países africanos, quando um KGB soviético era morto pelos próprios africanos, não porque odiavam o marxismo-leninismo mas, simplesmente, porque eram um bando de sujeitos desordeiros com gatilho a coçar. Se dá lhes der uma metralhadora, eles vão atirar! E alguns soviéticos obviamente não tomaram o cuidado de se protegerem e meteram-se em situações embaraçosas, quando eram baleados no fogo cruzado entre fações dos ditos «movimentos de libertação».

Então, decidi, com disse, estudar a contracultura. Decidi que esta seria provavelmente a melhor maneira de desaparecer. Socializei-me com figuras como essa à esquerda. Como vê, é um hippie americano descalço. Levou algum tempo para estudar o que estavam a fazer e como me misturar com eles, mas consegui, eventualmente. A maioria dos jornais indianos tinha a minha foto e a promessa de 2000 rupias por informação da minha localização; mas estavam a procurar a pessoa errada, porque, obviamente, estavam a tentar parar um jovem diplomata soviético de camisa branca e gravata, e esta era a minha aparência durante a deserção. Possivelmente, ninguém iria pensar que um diplomata soviético seria maluco ao ponto de se juntar a um bando de hippies!

Griffin: Este é você!...

Bezmenov: Sim. Viajar pela Índia e fumar haxixe. Então consegui, literalmente, quase como numa história de detetive no estlo de Hollywood. Debaixo do nariz da KGB, no aeroporto de Bombaim, embarquei num avião e fui para a Grécia, onde fui interrogado pela CIA. Isto basicamente é o fim dos meus diapositivos.

Griffin: OK. Podemos desligar o projetor. Isto é muito interessante.

Você falou antes várias vezes acerca de subversão ideológica. Esta é uma frase que temo que alguns americanos não compreendam totalmente. Quando os soviéticos usam a frase «subversão ideológica», o que querem dizer?

Bezmenov: Subversão ideológica é o processo que é legítimo, público e aberto. Você pode vê-lo com os seus próprios olhos. Tudo o que tem de fazer, tudo o que a comunicação social americana tem de fazer é desenfiar as bananas dos ouvidos, abrir os olhos, e poderão vê-lo. Não tem mistério, não tem nada a ver com espionagem. Sei que espionagem, coleta de informação, parece mais romântico, vende mais desodorizantes em propagandas. Provavelmente, é por isso que os vossos produtores de Hollywood são tão loucos por thrillers como James Bond. Mas, na realidade, a ênfase principal da KGB não é de maneira nenhuma na área de inteligência.

De acordo com a minha opinião e a opinião de muitos desertores do meu calibre, apenas 15% de tempo, dinheiro e mão de obra são gastos em espionagem como tal. Os outros 85% são um processo lento que chamamos de subversão ideológica ou medidas ativas (aktivnye meropriyatiya, na linguagem da KGB) ou guerra psicológica. O que significa, basicamente, é mudar a perceção da realidade de todo o americano a tal ponto em que, apesar da abundância de informação, ninguém é capaz de chegar a conclusões razoáveis no interesse de se defender a si mesmo, às suas famílias, à sua comunidade e ao seu país. É um grande processo de lavagem cerebral, que anda bem devagar e é dividido em 4 estágios básicos.

O primeiro é desmoralização. Leva 15 a 20 anos para desmoralizar uma nação. Porquê este número de anos? Porque este é o número mínimo de anos necessário para educar uma geração de estudantes no país do seu inimigo, exposta à ideologia do inimigo. Noutras palavras, ideologia marxista-leninista vai sendo injetada nas cabeças moles de pelo menos 3 gerações de estudantes americanos, sem ser contestada ou contrabalançada pelos valores básicos do americanismo, patriotismo americano.

O resultado? O resultado, você pode vê-lo: A maioria das pessoas que se formaram nos anos 60, desistentes ou intelectuais de miolo mole, está agora a ocupar as posições de poder no Governo, funcionalismo, negócios, comunicação social, sistema educativo. Vocês estão atolados com eles, não se conseguem livrar deles. Eles estão contaminados, estão programados para pensar e reagir a certos estímulos, a um certo padrão. Você não consegue mudar as ideias deles, mesmo se os expuser a informação autêntica; mesmo que prove que branco é branco e preto é preto, não consegue mudar a perceção básica e a lógica de comportamento. Noutras palavras, [com] essa gente, o processo de desmoralização é completo e irreversível. Para livrar a sociedade dessa gente, precisa de outros 20 ou 15 anos para educar uma nova geração de gente de mente patriótica e bom senso que agiria em favor de e pelos interesses da sociedade dos Estados Unidos.

Griffin: E essas pessoas que foram programadas, como você diz, no lugar, e que são favoráveis a uma abertura ao conceito soviético, são as mesmas pessoas que estariam marcadas para extermínio neste país?

Bezmenov: A maioria delas, sim. Simplesmente, porque o choque psicológico, quando elas virem no futuro o que a linda sociedade de igualdade e justiça social significa na prática, obviamente irão revoltar-se. Serão pessoas muito infelizes, frustradas. E o regime marxista-leninista não tolera essas pessoas. Obviamente, juntar-se-ão às fileiras dos desertores, dissidentes.

Ao contrário dos atuais Estados Unidos, não haverá lugar para dissensão na futura América marxista-leninista. Aqui, você pode ficar popular, como Daniel Ellsberg, e podre de rico, como Jane Fonda, por ser dissidente, por criticar o vosso Pentágono. No futuro, essa gente será simplesmente esmagada como baratas. Ninguém lhes pagará nada pelas suas lindas ideias nobres de igualdade. Isto, eles não entendem e será o maior choque para eles (é claro).

O processo de desmoralização nos Estados Unidos já está basicamente completo, nos últimos 25 anos. Aliás, está mais que completo, porque a desmoralização agora chega a áreas em que antes nem o camarada Andropov e todos os seus especialistas sequer sonhariam com tal sucesso tremendo. A maior parte é feita por americanos em americanos, graças à falta de padrões morais.

Como mencionei antes, exposição a informação verdadeira não importa mais. Uma pessoa que foi desmoralizada é incapaz de avaliar informação verdadeira. Os factos não lhe dizem nada; mesmo que eu a bombardeie com informação, com provas autênticas, com documentos, com fotos. Mesmo que eu a leve à força para a União Soviética e lhe mostre um campo de concentração, recusará acreditar, até levar um pontapé no traseiro gordo dela. Quando uma bota militar rebentar a sua […], aí entenderá, mas não antes. Isto é o trágico da situação de desmoralização.

Então, basicamente, a América está atolada com a desmoralização. E, a menos que, mesmo que você comece agora, neste minuto, se começar a educar uma nova geração de americanos, ainda assim vai levar 15 a 20 anos para reverter a maré da perceção ideológica da realidade, de volta à normalidade e ao patriotismo.

O próximo estádio é desestabilização. Desta vez, o subversor não liga às suas ideias e aos seus padrões de consumo. Se você come comida de má qualidade e fica gordo e flácido, não importa mais. Desta vez (e leva só de 2 a 5 anos para desestabilizar uma nação), o que importa são os essenciais: economia, relações exteriores e sistemas de defesa. E pode ver bem claramente que, em algumas áreas sensíveis como defesa e economia, a influência de ideias marxistas-leninistas nos Estados Unidos é absolutamente fantástica. Eu nunca iria acreditar há 14 anos atrás, quando pousei nesta parte do mundo, que o processo andaria tão rapidamente.

O próximo estágio (é claro) é a crise. Pode precisar de até apenas 6 semanas para levar um país à beira da crise. Pode ver isso na América Central, agora.

E depois da crise, com a mudança violenta de estrutura de poder e economia, você tem o período dito de normalização. Pode durar indefinidamente. «Normalização» é uma expressão cínica emprestada da propaganda soviética: Quando os tanques soviéticos entraram na Checoslováquia, em 68, o camarada Brezhnev disse: «Agora, a situação na fraternal Checoslováquia está normalizada».

Isto é o que acontecerá aos Estados Unidos se vocês permitirem todos os imbecis levarem o país à crise, prometerem ao povo todo o tipo de benesses e o paraíso na Terra, desestabilizarem a sua economia, eliminarem o princípio de concorrência de mercado livre e colocarem um Governo do Grande Irmão (Big Brother) em Washington DC com ditadores benevolentes como Walter Mondale, que prometerá montes de coisas! (Não importa se as promessas serão cumpridas ou não.) Ele irá a Moscovo para lamber as botas da nova geração de assassinos soviéticos. Não importa. Ele criará falsas ilusões de que a situação está sob controlo. A situação não está sob controlo. A situação está asquerosamente fora de controlo.

A maioria dos políticos americanos, comunicação social e sistema educativo treina outra geração de pessoas que pensam que estão a viver em tempos de paz. Falso. Os Estados Unidos estão num estado de guerra, guerra total não declarada contra os princípios básicos e alicerces deste sistema. E o iniciador desta guerra não foi o camarada Andropov (claro): é o sistema. Por mais ridículo que possa soar, é o sistema comunista mundial ou a conspiração comunista mundial. Se isto assusta algumas pessoas ou não, não me interessa. Se não está assustado neste momento, nada o pode assustar.

Mas não precisa de ficar paranoico com isto. O que de facto acontece agora, é que, ao contrário de mim, vocês têm literalmente alguns anos para viver, a não ser que os Estados Unidos acordem. A bomba-relógio está a fazer tique-taque. A cada segundo, o desastre está a aproximar-se cada vez. Ao contrário de mim, vocês não terão para onde desertar, a não ser que queiram viver na Antártica com pinguins. É isso: este é o último país de liberdade e possibilidade.

Griffin: OK. Então, o que vamos fazer? Qual é a sua recomendação ao povo americano?

Bezmenov: Bem, a coisa imediata que vem à minha mente é (claro): deve haver um esforço nacional muito forte para educar as pessoas no espírito de verdadeiro patriotismo — número um. Número dois: explicar-lhes o perigo real do socialismo, comunismo, qualquer Estado de bem-estar social, Governo do Grande Irmão (Big Brother). Se as pessoas falharem em captar o perigo iminente ao seu desenvolvimento, mesmo nada poderá ajudar os Estados Unidos. Vocês podem dizer adeus às suas liberdades, incluindo liberdades dos homossexuais, dos presos; toda esta liberdade vai desaparecer, evaporar, em 5 segundos, incluindo as suas preciosas vidas.

A segunda coisa: No momento em que pelo menos parte da população dos Estados Unidos está convencida de que o perigo é real, têm de forçar o seu Governo! E não estou a falar em mandar cartas, assinar petições e todas essas lindas atividades nobres. Estou a falar em forçar o Governo dos Estados Unidos a parar de ajudar o comunismo, porque não há outro problema mais ardente e urgente do que impedir o complexo industrial militar soviético de destruir o que quer que tenha sobrado do mundo livre. E é muito fácil de fazer: nada de crédito, nada de tecnologia, nada de dinheiro, nada de reconhecimento político ou diplomático, e (é claro) nada de idiotices, como acordos de cereais com a União Soviética.

O povo soviético (270 milhões de soviéticos) será eternamente grato a vocês se pararem de ajudar um bando de assassinos que agora estão sentados no Kremlin e a quem o presidente Reagan respeitosamente chama de Governo. Eles não governam nada, muito menos complexidades como a economia soviética.

Então, basic[amente], duas coisas muito simples, talvez duas questões ou soluções muito simplistas. Mas ainda assim são as únicas soluções: eduque-se, entenda o que está a acontecer ao seu redor. Não está a viver em tempos de paz. Está num estado de guerra. E tem pouco e precioso tempo para se salvar. Vocês não têm muito tempo, especialmente se estiverem a falar da geração jovem. Não resta muito tempo para convulsões […] para a linda música disco. Muito em breve, vai simplesmente desaparecer da noite para o dia. Se estamos a falar de capitalistas ou de empresários ricos, creio que estão a vender a corda na qual serão enforcados muito em breve. Se eles não pararem, se não conseguirem frear o seu desejo insaciável de lucro e se continuarem a comerciar com o monstro do comunismo soviético, irão para a forca, muito em breve. E rezarão para serem mortos, mas, infelizmente, serão mandados para o Alasca, provavelmente para a gerência da indústria de escravos.

É simplista. Sei que soa desagradável, sei que americanos não gostam de escutar coisas que são desagradáveis, mas não desertei para lhes contar estórias de idiotices como microfilme, espionagem como James Bond; isso é lixo. Vocês não precisam mais de espionagem. Eu vim falar de sobrevivência. É uma questão de sobrevivência deste sistema. E pode perguntar-me o que ganho com isso. Sobrevivência, obviamente, porque eu gosto... Como eu disse, tal como eu disse, estou agora no seu barco. Se afundarmos juntos, vamos afundar lindamente juntos. Não há outro lugar neste planeta para onde desertar!

 

 

Entrevista com Yuri Alexandrovitch Bezmenov (Tomas Schuman) (1939 — 1993), ex-agente da KGB.

Entrevistador: G. Edward Griffin.

American Media Production, 1984.

 


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