Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
Subversão soviética da imprensa do mundo livre (2)

Bezmenov: Pois bem. Como todo o estudante na União Soviética, passei por treino físico e militar bem extenso. E treino de defesa civil também, ao contrário dos Estados Unidos, onde defesa civil é virtualmente inexistente. Zero! Na União Soviética, qualquer aluno, qualquer que seja a sua área principal, tem de passar por 4 anos de treino bem extensivo militar e de defesa civil.

Pode ver-me aqui num grupo de estudantes durante um dos jogos de guerra perto de Moscovo. A principal ideia (é claro) é preparar um enorme exército reservista para a União Soviética. Cada estudante tem de se formar como tenente júnior. No meu caso, era serviço de inteligência administrativo e militar. A minha primeira atribuição foi a Índia, como tradutor para o grupo de ajuda económica soviética, construindo complexos de refinaria no Estado de Bihar e no Estado de Gujarat. Naquela época, ainda estava ingenuamente a acreditar idealisticamente que aquilo que eu estava a fazer contribuía para a compreensão e a cooperação entre as nações.

Levou alguns anos para perceber que o que estávamos a levar para a Índia era um novo tipo de colonialismo mil vezes mais opressor e explorador do que qualquer colonialismo ou imperialismo na história da humanidade. Mas, naquela época, eu ainda tinha esperança de que (bem) talvez não fosse assim tão mau; podia ser pior e as coisas poderiam melhorar.

Ainda tentei implementar o lindo lema marxista «Proletários de todos os países, uni-vos!». Tentei unir-me com uma rapariga indiana boazinha. E, na verdade, estava fascinado com a cultura indiana, pela vida familiar neste país. Mas, obviamente, o Partido Comunista tinha planos diferentes para os meus genes. Então, tive de me casar com esta linda rapariga russa. Ao longo da minha carreira casei-me 3 vezes. A maioria desses casamentos era casamento de conveniência, por sugestão do departamento de pessoal. É prática comum na União Soviética. Quando o cidadão soviético recebe um trabalho no estrangeiro, tem de ser casado, ou para manter a família dentro da União Soviética como refém, ou, se é um casamento de conveniência como o meu, para que o marido e a mulher sejam virtualmente informadores um do outro para prevenir contra deserção ou contaminação por ideias imperialistas ou capitalistas decadentes. No meu caso, odiava tanto aquela rapariga que, no momento em que pousámos em Moscovo, nos divorciámos, e casei-me depois uma segunda vez.

No fim da minha primeira tarefa na Índia, fui promovido a posição de oficial de relações públicas. Pode ver-me aqui a traduzir o discurso de um patrão soviético.

Griffin: E você está à direita?

Bezmenov: Sim. Estou à direita aqui. E a ocasião era a comissão do complexo de refinarias em Bihar e Barauni.

De volta a Moscovo, fui imediatamente recrutado pela Agência de Imprensa Novosti, que é uma frente de propaganda e subversão ideológica da KGB. 75% dos membros da Novosti são oficiais comissionados da KGB; os outros 25% são como eu: agentes cooptados, que são designados a operações específicas.

Neste caso particular, pode ver-me a falar com estudantes da Universidade de Amizade Lumumba, em Moscovo. Esta é uma escola enorme, sob controlo direto da KGB e do Comité Central, onde futuros líderes dos ditos «Movimentos de Libertação Nacional» estão a ser educados e selecionados cuidadosamente. E alguns deles não têm absolutamente... Este, por exemplo, é um grupo de estudantes da Lumumba. Não se parecem nem um pouco com estudantes. Parecem-se mais com militares, e isto é exatamente o que eram. Eram mandados de volta para os seus países para serem líderes dos ditos «Movimentos de Libertação Nacional» ou, traduzindo para linguagem humana normal, líderes de grupos terroristas internacionais.

Outra área de atividade, quando eu trabalhava para a Novosti, era acompanhar grupos de ditos «intelectuais progressistas»: escritores, jornalistas, editores, professores, professores universitários. Aqui, pode ver-me no Kremlin (sou o segundo à esquerda), com um grupo de intelectuais paquistaneses e indianos. A maioria deles fingia não entender que estávamos a trabalhar para o Governo soviético e a KGB. Fingiam que eram convidados de verdade, intelectuais VIP, que eram tratados de acordo com os seus méritos e habilidades intelectuais. Para nós, eram apenas um bando de prostitutas políticas a serem aproveitadas para várias operações de propaganda. Então, pode ver perfeitamente bem o meu colega superior à esquerda (não demonstra lá muito respeito na cara dele!) e a mim, com um sorriso bem cético, típico sorriso sarcástico da KGB, antecipando outra vítima de lavagem cerebral ideológica. É assim que uma típica conferência no quartel-general da Novosti, em Moscovo, se parece. Sentado no meio, está Boris Burkov, então diretor da Novosti, burocrata de alto escalão do partido no departamento de propaganda. Estou de pé ao lado do famoso poeta indiano Sumitharanandan Panth. Era famoso porque era um autor, o autor de um poema famoso chamado «Rapsódia a Lenine»; por isso, foi convidado à União Soviética e foi tudo pago pelo Governo soviético.

Preste atenção especial ao número de garrafas na mesa. Esta é uma das maneiras de matar a atenção ou a curiosidade de jornalistas estrangeiros. A minha… Uma das minhas funções era manter convidados estrangeiros permanentemente embriagados. A partir do momento em que pousavam no aeroporto de Moscovo, tinha de os levar ao salão VIP e brindar à amizade e à compreensão entre as nações do mundo: um copo de vodca, e aí um segundo copo de vodca; e em pouco tempo os meus convidados estariam a sentir-se bem alegres: veriam tudo numa cor rosa bonitinha; e este é o estado no qual tinha de os manter permanentemente pelos próximos 15 ou 20 dias. Em certo momento, tinha de lhes tirar o álcool, de modo que alguns deles, que são os mais recrutáveis, estariam meio abalados, culpados, tentando lembrar-se do que disseram na noite anterior. Esta é a hora de se aproximar deles com todo o tipo de «nonsense», como comunicado conjunto ou manifesto em prol de propaganda soviética. Esta é a hora em que estão mais flexíveis e (é claro) o que não compreendiam ou não perceberam ou fingiram que não perceberam é que eu, mesmo que estivesse a beber com eles, na verdade não estava a beber nada. Eu tinha maneiras de me livrar do álcool, através de várias técnicas, incluindo pílulas especiais dadas a mim pelos meus colegas. Mas eles estavam a tomar seriamente; por outras palavras, consumiam grandes volumes de álcool e sentiam-se bem mal na manhã seguinte.

Em 1967, a KGB associou-me a essa revista, a revista Look. Um grupo de 12 pessoas chegou à União Soviética, vindo dos Estados Unidos, para fazer a cobertura do 50.º aniversário da Revolução socialista de Outubro no meu país. Da primeira página à última página, era um pacote de mentiras, cliché de propaganda que foi apresentado a leitores americanos como opiniões e deduções de jornalistas americanos. Nada podia estar [mais] longe da verdade. Essas não eram opiniões, não eram opiniões de maneira nenhuma. Eram os clichés que a propaganda soviética queria que o público americano pensasse que eles pensam, se isso chega a fazer algum sentido. Certamente que faz, porque, do ponto de vista da propaganda soviética, apesar de transformados em guerrilheiros e de haver críticas subtis ao sistema soviético, a mensagem básica é de que a Rússia, hoje, é um sistema bom, funcional e eficiente, apoiado pela maioria da população. Essa é a maior mentira. E (é claro) intelectuais e jornalistas americanos da revista Look elaboraram esta inverdade de várias formas diferentes, intelectualizaram essa mentira, encontraram todo o tipo de justificações para contar mentiras ao público americano.

Griffin: Desculpe. Era em parte o seu trabalho certificar-se de que eles receberiam essas ideias...

Bezmenov: Sim.

Griffin: ...e de que as aceitassem como ideias próprias deles.

Bezmenov: Certo. Na verdade, antes mesmo que chegassem à União Soviética (e pagaram uma quantia astronómica por essa visita), submeteram-se. A Agência de Imprensa Novosti desenvolveu os ditos «históricos»: 20 a 25 páginas de informação e opiniões que foram apresentadas aos jornalistas antes mesmo de comprarem as suas passagens para Moscovo. Tinham de analisar a situação e, julgando pelas suas reações ao tal histórico, o representante local da Novosti ou diplomata soviético local em Washington iria julgar se eles receberiam o visto para a União Soviética ou não.

Griffin: Eram selecionados antes?...

Bezmenov: Ah, sim! Eram muito cuidadosamente pré-selecionados. Não há muita possibilidade de um jornalista honesto chegar à União Soviética e ficar lá por um ano e trazer esse pacote de mentiras para casa.

Esta, por exemplo, é a página central da revista Look. Apresentaram esse monumento erigido pelo Partido Comunista em Estalinegrado como o símbolo, a personificação do poderio militar russo. E disseram no artigo publicado na margem que os soviéticos têm muito orgulho da sua vitória na Segunda Guerra Mundial. Esse é outro grande mito, uma mentira. Nenhum povo sensato teria orgulho em perder 20 milhões dos seus compatriotas numa guerra que foi deflagrada por Hitler e pelo camarada Stalin e paga por multinacionais americanas. A maioria dos cidadãos soviéticos olha para esse tipo de monumento com nojo e dor porque toda a família perdeu pai, irmão, irmã ou criança [filho] na Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, jornalistas americanos que estavam a tentar apaziguar, agradar aos seus anfitriões, apresentaram esta foto na página central como o símbolo, a personificação do que eles chamam de «espírito nacional russo». E foi o maior, o maior erro, e uma incompreensão trágica. É claro: a revista Look não foi distribuída na União Soviética. O público principal estava nos Estados Unidos. Mas eu suponho que muitos americanos — milhões de americanos que liam a revista Look naquela época — tiveram uma ideia absolutamente errada sobre os sentimentos da minha nação, ou de que os soviéticos têm orgulho ou odeiam.

Este é um grupo. (Pode ver a mesma dama com uma espada em Estalinegrado.) É um grupo de jornalistas. Estou no centro, com o mesmo sorriso diabólico. E o Sr., Philip Harrington está lá à extrema esquerda com a sua câmara. Este era o senhor que era tão surdo ou tão desinteressado no que eu lhe tinha a dizer!

Esta é a mesma foto, uma ampliação da mesma foto. Muitos convidados de muitos países (e neste caso particular da Ásia e da África) eram levados por mim, como funcionário da Agência Novosti, para uma volta pela Sibéria, por exemplo. Mostrávamos-lhes uma creche típica. Está a ver? Nada de especial para os padrões americanos: só crianças boazinhas, sentadas a tomar o seu pequeno-almoço ou o almoço. O que eles não podiam entender ou fingiam não entender é que esta é uma creche exemplar. Esta não é uma creche para a pessoa média ou família média na União Soviética. E mantivemos essa ilusão na mente deles. Pode ver-me abaixo da mancha vermelha, lá no meio, com a mesma expressão de negócios. Estou a fazer o meu trabalho. É o que me mandaram fazer e me pagaram para fazer. Mas, no fundo, esperava que ao menos alguns desses idiotas úteis compreendessem que o que eles estavam a ver não tinha nada a ver com o nível de riqueza na minha nação.

Esta é uma foto melhor, que reflete o espírito verdadeiro da infância soviética. Esta foto foi impressa numa publicação do Governo canadiana por engano. No meio, pode ver crianças a brincar num pequeno quintal, e a legenda diz «Esta é uma típica creche na Sibéria». O que esses idiotas não entendiam é que isso não é uma creche, de maneira nenhuma. É uma prisão para filhos de prisioneiros políticos. Mas não houve uma única menção de que aquilo que andavam a visitar era na verdade uma área de campos de concentração. E o trabalho de pessoas como eu era ajudá-los a não perceberem que estavam, na verdade, a falar com prisioneiros. A maioria das crianças estava vestida especialmente na ocasião da visita dos estrangeiros, e claro que não havia cadáveres pelo chão, não havia guardas de metralhadora; e não parece muito agradável, pelo que pode ver; parece desagradável, mas obviamente não dá a impressão de que isso é na verdade uma prisão.

Griffin: Bem. Algum dos jornalistas teve a curiosidade de perguntar por prisões, afinal, na Sibéria?

Bezmenov: Sim, sim! Alguns deles perguntavam; e nós, naturalmente, para pergunta estúpida dávamos uma resposta estúpida: «Não, não há prisões na Sibéria. Não. A maioria das pessoas que vê são cidadãos livres da União Soviética: estão muito felizes por estarem aqui e estão a contribuir para a glória do sistema socialista». Alguns deles fingiam acreditar no que eu lhes dizia; e da maioria deles, podemos discutir depois quais são as motivações dessas pessoas. Porque iriam levar mentiras para a sua própria gente através da sua própria comunicação social?

Tenho várias respostas para isto. Não há uma explicação única; é um complexo de explicações. É medo, puro medo biológico. Entendem que estão no território de um Estado inimigo, um Estado policial, e só para salvar as suas peles imprestáveis, os seus empregos miseráveis, sua afluência em casa, preferiam contar uma mentira a fazer perguntas verdadeiras e a noticiar informação verdadeira. Em segundo lugar, a maioria desses imbecis tinha medo de perder os seus empregos porque, obviamente, se diz a verdade sobre o meu país, não vai durar muito como correspondente do New York Times ou Los Angeles Times. Irão despedi-lo. «Que tipo de correspondente é você? Obviamente, não se pode entender com os russos se eles o lançam para fora em 24 horas.»

Então, por tentarem ser conformistas com os seus chefes de redação, tentam não ofender os sentimentos dos administradores soviéticos e de pessoas como eu. No fundo, desejava que eles insultassem, sim, os meus, ou ofendessem, sim, os meus sentimentos. Obviamente, preferiram não o fazer. Outro motivo (recusava-me a acreditar nisto, mas, obviamente, há outra razão): obviamente, é uma ambição. Essas pessoas ganham muito dinheiro: Quando voltam para os Estados Unidos, alegam que são especialistas no meu país; escrevem livros e vendem milhões de cópias: títulos como «Russos», «A verdade sobre a Rússia». A maior parte é mentira sobre a Rússia. Ainda assim, alegam-se de sovietólogos. Repetem mitos sobre o meu país, os clichés de propaganda. Ainda assim, resistirão teimosamente à verdade.

Se uma pessoa como Soljenitsin deserta ou é atirada para fora da União Soviética, fazem o melhor que podem para a desacreditar e desencorajar. Não tenho muita sorte em aparecer em rede nacional com a história verdadeira sobre o meu país. Mas um idiota útil como Hendrix Smith ou Robert Kaiser são grandes heróis, voltam da União Soviética a dizer: «Oh, estávamos a falar com dissidentes na Rússia». Grande coisa! Dissidentes soviéticos andam a correr atrás de correspondentes americanos pelas ruas e eles andam covardemente a escapar destes contactos.

Por alguma razão estranha, se você quiser saber mais sobre a Espanha, consulta escritores espanhóis; se quiser saber mais sobre os franceses, lê escritores franceses; mesmo sobre a Antártica, leria os pinguins; só sobre a União Soviética, por alguma razão estranha, lê Hendrix, imbecilendrix e todo o tipo de Kissingers porque eles alegam saber mais sobre o meu país. Eles não sabem de nada, ou perto de nada, ou pretendem saber mais do que sabem de facto. Eu diria que são pessoas desonestas, a quem falta integridade e bom senso e honestidade intelectual. Trazem de volta todo o tipo de estórias, como aquela: uma creche na Sibéria, omitindo o facto mais importante — é uma prisão para filhos de prisioneiros políticos! Outro grande exemplo de idiotice monumental de políticos americanos: Edward Kennedy estava em Moscovo; e pensou que era um político americano popular e carismático, que é para a frente, que sorri, que dança no casamento no palácio russo de casamentos. O que ele não entendeu, ou fingiu que não entendeu, é que, na verdade, andava a passear de coleira. Esse é um casamento montado para impressionar comunicação social estrangeira ou idiotas úteis como Edward Kennedy. Lá, a maioria dos convidados tinha permissão da segurança e era instruída no que dizer para estrangeiros. E era o que eu estava a fazer. Pode ver-me no mesmo maldito palácio de casamentos, em Moscovo, onde Edward Kennedy dançava, aqui, sorrindo. Ele acha que é muito inteligente. Do ponto de vista de cidadãos soviéticos que assistem a essa idiotice, ele é um idiota egocêntrico de mente estreita que tenta ganhar a sua popularidade através de participação em farsas de propaganda como essa.

Aqui, pode ver-me. À direita, de novo, uma noiva soviética exemplar. À esquerda, três jornalistas de vários países: Ásia, África e América Latina. Obviamente, estão a adorar a situação; vão voltar para casa e escrever uma notícia «Estávamos presentes num casamento comum soviético». Eles não estavam presentes num casamento soviético comum! Estavam presentes: foram parte de uma farsa, de uma apresentação de circo.

Outra coisa que eu tive (às vezes, arriscando a minha vida para explicar a estrangeiros): A revista Time, por exemplo, é muito crítica do regime racista da África do Sul. O artigo era todo dedicado ao vergonhoso sistema de passaportes internos onde negro não tem permissão para viver com brancos. Por alguma razão estranha, nos últimos 14 anos, desde a minha deserção, ninguém queria prestar atenção ao meu passaporte. Este é o meu passaporte. Ele também mostra a minha nacionalidade. E tem um carimbo da polícia, que é chamado prapiska na língua russa, que me designa a uma certa área de residência. Não posso deixar esta área, da mesma forma que este negro não pode deixar a área na África do Sul. Ainda assim, chamamos o Governo da África do Sul de regime racista. Nenhuma Jane Imbecilonda ou Fonda tem bravura, coragem suficiente, para ir dizer à comunicação social: «Olhem! Isto é o que acontece na União Soviética!» Mandei cópias do meu passaporte para vários 'liberais' americanos, defensores de direitos civis e todos os outros idiotas úteis. Nem se preocuparam em me responder. Isso mostra que tipo de integridade, que tipo de honestidade essa gente tem. São um bando de hipócritas porque não querem reconhecer um bom exemplo de racismo no meu país.

Esse é o primeiro estágio em tornar-se amigo de um professor. Pode ver-me à esquerda, com o mesmo sorriso de James Bond. À direita, está o meu supervisor da KGB, o camarada Leonid Mitrokhin; e no meio está um professor de ciência política da Universidade de Deli. O próximo passo seria convidá-lo para uma convenção de amizade indo-soviética. Aí está ele, sentado ao lado da sua esposa, antes de ser mandado para a União Soviética em viagem grátis, tudo pago pelo Governo soviético. Ele foi induzido a acreditar que está a ser convidado para a União Soviética por ser um intelectual talentoso que pensa sobriamente. Absolutamente falso. Ele está a ser convidado porque é um idiota útil, porque iria concordar e subscrever a maioria dos clichés de propaganda soviética e, quando voltar ao seu próprio país, irá ensinar por anos e anos as belezas do socialismo soviético para novas e novas gerações dos seus estudantes, promovendo, assim, a linha de propaganda soviética. A KGB estava até curiosa acerca deste senhor (pode parecer inocente), Maharishi Mahesh Yogi, um grande líder espiritual, ou talvez um grande charlatão e vigarista, dependendo de que lado você olha para ele. Os Beatles foram treinados no seu ashram, em Haridwar, na Índia, em como meditar. Mia Farrow e outros idiotas úteis de Hollywood visitaram a sua escola e voltaram aos Estados Unidos absolutamente alucinados com maconha, haxixe e ideias malucas de meditação. Meditar, noutras palavras, isolar-se dos assuntos sociais e políticos atuais do seu próprio país, entrar na sua própria bolha, esquecer os problemas do mundo. Obviamente, a KGB está muito fascinada com uma escola tão linda, tal centro de lavagem cerebral para americanos estúpidos. Eu fui enviado pela KGB para verificar que tipo de VIP americano frequentava a escola.

Griffin: É você à esquerda?

Bezmenov: Sim, estou à esquerda. Estava a tentar matricular-me na escola. Infelizmente, Maharishi Mahesh Yogi cobrava muito. Queria 500 dólares americanos para a matrícula. Mas a minha função não era realmente matricular-me nesta escola; a minha função era descobrir que tipo de gente dos Estados Unidos frequenta esta escola. E descobrimos que, sim, há alguns membros de famílias influentes fazedores de opinião pública dos Estados Unidos; que voltam com histórias malucas de filosofia indiana. Os próprios indianos enxergam-nos como idiotas: idiotas úteis. Para não falar da KGB, que os enxergava como gente extremamente ingénua e desorientada. Obviamente, um VIP, (digamos) a esposa de um deputado ou uma personalidade proeminente de Hollywood, depois de ser treinada naquela escola, é muito mais instrumental nas mãos de manipuladores de opinião pública e da KGB do que uma pessoa normal que entende, que enxerga através desse char... desse tipo de treino religioso falso.

Griffin: Porque é que seriam mais suscetíveis à manipulação?

Bezmenov: Acabei de falar, porque (veja bem) uma pessoa que está muito envolvida em meditação introspetiva, se você vir cuidadosamente o que Maharishi Mahesh Yogi está a ensinar a americanos é que todos — a maioria dos problemas, a maioria dos assuntos quentes de hoje — podem ser resolvidos meditando, simplesmente. Não balance o barco, não se envolva, sente-se apenas, olhe para o seu umbigo e medite. E as coisas, por alguma lógica estranha, por vibração cósmica, vão se assentar sozinhas. Isso é exatamente o que a KGB e a propaganda marxista-leninista quer dos americanos: Distrair a sua opinião, atenção, energia mental de assuntos reais dos Estados Unidos para não-assuntos, para um não-mundo, para uma harmonia inexistente. Obviamente, é mais benéfico para os agressores soviéticos ter um bando de americanos abestalhados do que americanos que são autoconscientes, saudáveis, em forma física e alerta à realidade. Maharishi Mahesh Yogi obviamente não está na folha de pagamento da KGB. Mas, quer ele saiba quer não, contribui muito para a desmoralização da sociedade americana. E ele não é o único. Há centenas desses gurus que vêm para o seu país para faturar em cima da ingenuidade e da estupidez de americanos. É uma moda, é uma moda meditar, é uma moda não se envolver. Então, obviamente, pode ver que, se a KGB estava tão curiosa, se pagaram a minha viagem para Haridwar, se me designaram aquela missão estranha, obviamente estavam muito fascinados. Estavam convencidos de que esse tipo de lavagem cerebral é muito eficiente e instrumental na desmoralização dos Estados Unidos.

Griffin: A nossa conversa com Yuri Alexandrovitch Bezmenov, que foi desertor da União Soviética e ex-agente de propaganda para a Novosti e a KGB, continuará após o intervalo.


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