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Ao contrário do que se diz, a nossa sociedade é muito religiosa. É materialista e preocupada com o imediatismo, ainda que muitos tentem garantir a sua fantasmagórica sobrevivência de continuar na História depois da morte, a todo o custo. Esta sociedade segue a religião do deus Estado — omnipotente, omnisciente e omnipresente, infinitamente bonzinho e providente, capaz de recriar o paraíso terreal; além de impor a «verdade» científica e de controlar o comportamento das pessoas, desde o alto. O Estado é uma entidade transcendental, ao contrário dos políticos e dos funcionários públicos, que são os seus sacerdotes, o seu clero. Se esse deus não satisfaz todos os desejos humanos, é porque os seus sacerdotes são incompetentes na liturgia (1) dos sacrifícios e devem ser punidos e substituídos (nem que seja por uma revolução). Quem não crê devotamente nessa religião é considerado um herege que deve ser queimado nas chamas inquisitoriais do patrulhamento ideológico. Desde tempos imemoriais, reis e imperadores são considerados deuses. Povos acreditaram que os deuses, caprichosamente, modificavam as leis da natureza de acordo com o grau de satisfação obtida com a oferta de sacrifícios (de preferência, dolorosos sacrifícios humanos!). A nossa sociedade é tão revolucionária (2) que fez um progresso de milénios para trás na História! Como afirmou G. K. Chesterton, «quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer coisa». (1) Liturgia — etimologicamente, função pública; (2) Revolução — etimologicamente, caminhada para trás. | |||
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