Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
A Palestina no tempo de Jesus, segundo escritos do século I

C. PLÍNIO SEGUNDO (O ANTIGO)
HISTÓRIA NATURAL (Historia Naturalis)

DESCRIÇÃO DA PALESTINA

(O texto de Plínio é muito maçudo na enumeração de regiões e de cidades e na descrição de plantas, e cheio de imprecisões. Dele, apenas extraímos os elementos que, de algum modo, mesmo sendo muito sumários, possam servir para descrever algumas terras da Palestina.)

Jope , cidade fenícia, mais antiga que a inundação da terra, segundo dizem, está assente sobre uma colina precedida de um rochedo onde se mostram os restos das cadeias de Andrómeda. Adora-se lá a fabulosa Ceto. (1) (...)

No interior, ficam as cidades (oppida) da Samaria: (...) Sebaste, sobre um monte, e, mais alto, Gamala. (...)

...a Pereia, dispersa por montes ásperos. (...)

Jericó, plantada de palmeiras e regada por fontes...(...)

...Orine (a montanha), onde se encontrava Jerusalém, de longe a mais famosa das cidades do Oriente, e não apenas da Judeia. (...)

O rio Jordão nasce na fonte de Paneias, que deu o cognome a Cesareia (...) O rio é ameno e, enquanto a natureza do sítio o permite, ambicioso (de ribeiros), dando voltas, como se (caminhasse contra a vontade) para o lago Asfaltite, de uma natureza sinistra, onde, por fim, se absorve, e perde as admiradas águas misturadas com (águas) pestilenciais. Pois, na primeira ocasião em que lhe apareceu um vale fechado, funde-se num lago que a maior parte das vezes chamam de Genesara, com 16 milhas de comprimento por 6 de largura, (2) cercado de cidades aprazíveis: (...) a ocidente, Tiberíades, com águas termais salubres.

O lago Asfaltite nada produz além de betume, donde o seu nome. Não aceita o corpo de nenhum animal; flutuam (mesmo) os touros e os camelos, donde vem a fama de que nada nele imerge. O seu comprimento ultrapassa 100 milhas, a sua largura é de 75 no máximo, de 6 no mais estreito. (3) Observa-o do oriente a Arábia dos nómades, Maqueronte a sul, (4) outrora segunda fortaleza da Judeia, depois de Jerusalém. No mesmo lado (de Maqueronte) existe uma fonte termal de salubridade médica, Calirroé, apresentando pelo próprio nome a glória das águas.

Na margem ocidental, os Essénios fogem das nocivas influências do lago. Gente única em todo o mundo, admirável entre as restantes, sem nenhuma mulher, abdicada de todo o amor venéreo, sem dinheiro, companheira das palmeiras. De dia para dia renasce a multidão dos que ingressam, desejosos de seguir os costumes deles, (saturados) da fadiga da vida e dos caprichos da sorte (?). Assim, por milhares de séculos – coisa incrível – esta gente, na qual ninguém nasce, permanece sempre: tão fecundo é o desgosto da vida deles.

Abaixo deles, existiu a cidade de Engada (Engadi), segunda, depois de Jerusalém, na fertilidade das florestas de palmeiras, (5) hoje outra (cidade) queimada (?). Depois, a fortaleza Masada, igualmente perto do lago Asfaltite. Aqui acaba a Judeia.

(H. N. V, c. 13 - 17; §§ 66 - 73)

1) Baleia de Andrómeda, da qual Scauro levou o esqueleto para Roma.

2) Supra.

3) Supra.

4) Maqueronte não se situa a sul, mas a leste do mar Morto.

5) Pelo contrário, Jerusalém situa-se em solo árido. Jericó é que se situa em terreno fértil.

Nada pode mergulhar no Asfaltite, lago da Judeia que produz betume, nem no lago Aritissa, da Grande Arménia.

(H. N. II, 102; § 226 Jan.)

Na Judeia, um rio que seca todos os sábados. (1)

(H. N. XXXI, 2; § 24)

1) F. Josefo (B. J. VII, 5, 1) fala de um rio Sabático, que estava seco seis dias por semana mas que aos sábados corria abundantemente. Não custa acreditar que um pequeno rio corresse só aos sábados, desde que a sua água fosse toda usada na rega durante os seis dias de trabalho!

Mas a todos os perfumes prefere-se o bálsamo, que de todos os sítios da terra só à Judeia foi concedido, outrora só cultivado em dois jardins, um e outro régios: um não media mais de 20 jeiras, outro ainda menos. Este arbusto foi mostrado a Roma pelos imperadores Vespasiano e Tito – coisa gloriosa de dizer – desde Pompeu Máximo também conduzimos árvores em triunfo! (1)

Agora este arbusto é servo e paga tributo com a sua gente. A natureza é outra, não a descrita pelos nossos autores estrangeiros. É mais semelhante à vinha que ao mirto. Desde há pouco que se domestica e, habituado a propagar-se por mergulhão como a vinha, cobre os flancos das costas como pés de vinha, plantados sem tutor, suportando-se por eles próprios. (...)

(H. N. XII, 25; § 111)

1) Ébano trazido por Pompeu da guerra do Oriente.

A Judeia tem mais palmeiras do que se agora se diz...

Depois das tamareiras do sul, vende-se sobretudo as cariotas, tão abundantes pelo seu suco como pela sua polpa nutritiva, e que servem para preparar os mais famosos vinhos do Oriente, que sobem à cabeça, donde o nome do fruto.

Se (o Oriente) se distingue pela abundância e fertilidade, na Judeia mais notáveis são, mas não em toda ela, mas sobretudo em Jericó, embora se encontrem valiosas plantações em Arquelau, Fasael e Lívias, outros vales do mesmo país. (...)

(H. N. XIII, 4; § 26)

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