Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
Perguntas sobre o nascimento de Jesus (3)

VII

Infelizmente, não temos nenhuma informação fidedigna que nos possa dizer as idades de Maria e de José, nem datar com rigor nenhum momento da vida deles.

Segundo se diz, os rapazes ficavam noivos por volta dos 17 a 18 anos e as raparigas ficavam noivas por volta dos 13 a 17 anos. O noivado durava um ano, ao fim do qual passavam a viver juntos como marido e esposa. Mas nada nos garante que esta tradição existisse no tempo de Jesus ou que fosse aplicada no caso concreto

Só mesmo por mera curiosidade, passamos a citar escritos apócrifos:

A apócrifa História de José, o Carpinteiro, escrita por volta dos séculos IV ou V (?), diz que José era viúvo e pai de 6 filhos (os tais «'irmãos' de Jesus»!), quando se casou com Maria, apenas de 12 anos. Supostamente, é o próprio Jesus que conta a vida do seu «pai»: «Ele viveu 40 anos antes de se casar. A sua mulher esteve sob a sua proteção durante 49 anos; depois morreu. Um ano após a morte desta, a Minha mãe, a casta Maria, foi-lhe confiada pelos sacerdotes, para que a guardasse até ao tempo do casamento. Ficou na sua casa (na casa de José) 2 anos; e durante o 3.º ano da sua estadia em casa de José, isto é, durante o 15.º ano da sua idade, gerou(-Me) por um mistério (...) O total da vida do Meu pai, o velho justo, foi de 111 anos.»

O apócrifo livro árabe da Passagem da Bem-Aventurada Virgem Maria diz: «O número de anos durante os quais a Virgem, Mãe de Deus, vivera sobre a terra era de 59. E desde o seu nascimento até à sua entrada no templo, passaram-se 3 anos; ficara 11 anos e 3 meses no templo; e trouxera no seu seio o Senhor Jesus durante 9 meses; e passara 33 anos com o Senhor Jesus, quando Ele vivia sobre a terra; e após a Sua ascensão ao Céu, decorreram 11 anos; e isso faz o número de 59 anos.»

São escritos cujo conteúdo é visivelmente lendário, mas que muito influenciaram a iconografia tradicional. Por isso, S. José é representado como um velho calvo com uma açucena nas mãos. Podem pretender dizer que Maria nunca teve relações sexuais com José... com o pretexto de ele ser demasiadamente velho. Nessa perspetiva, são lendas para atacarem outras lendas. Os Judeus, por sua vez, também arranjaram novas lendas, como as referências a Jesus «ben Pandera» ou «ben Pantera» (=filho de Pantera), presentes no lendário Talmud ou nos argumentos de Celso Contra os Cristãos: «Começaste por fabricar uma filiação fabulosa, pretendendo que devias o teu nascimento a uma virgem (parthenos, em grego). Na realidade, és originário de um lugarejo da Judeia, filho de uma pobre campónia que vivia do seu trabalho. Esta, culpada de adultério com um soldado, Pantero, foi expulsa por seu marido, carpinteiro de profissão. Expulsa assim e errando aqui e além ignominiosamente, ela deu-o à luz em segredo. Mais tarde, constrangida pela miséria a expatriar-se, foste para o Egito; aí alugaste os braços por um salário, e, tendo aprendido alguns desses poderes mágicos de que os Egípcios se gabam, voltaste ao teu país, e, inchado com os efeitos maravilhosos que sabias provocar, proclamaste-te Deus.»

VIII

Realmente, no Novo Testamento fala-se de irmãos e de irmãs de Jesus (Mt. 12, 46-50; Mc. 3, 31-35; Lc. 8, 19-21; Mt. 13, 53-58; Mc. 6, 1-6; Jo. 7, 2-10; At. 1, 13-14; 1Cor. 9, 5; Gl. 1, 19; etc.). Se dermos crédito aos escritos apócrifos, seriam 4 filhos e 2 filhas de José, nascidos de um casamento anterior do qual teria enviuvado.

Convém, no entanto, ter em conta certos detalhes:

Diz-se, em Mt. 13, 55 e em Mc. 6, 3, que Jesus é filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Simão e de Judas. É certo que todos estes nomes, incluindo o de Jesus (!), eram vulgares naquela época, mas temos de nos contentar com os dados que possuímos. Em Mt. 27, 55-56, Mc. 15, 40-41 e Jo. 19, 25-27, é referida uma Maria, mãe de Tiago e de José, que acompanha Jesus no Calvário, e que não é a mãe d'Ele nem é nenhuma defunta esposa de S. José! Devemos, pois, concluir que não se trata de irmãos, no sentido restrito, mas de parentes próximos, que, em hebraico e em aramaico, também são designados de «irmãos».

Veja-se, por exemplo, em Gn. 13, 8; 14, 12-16, que Lot (PT-BR= Ló) é designado de «irmão» de Abraão, embora fosse sobrinho (Gn. 11, 26-28). (Cf.: Gn. 29, 15; Lv. 10, 4; 1Cr. 23, 22; etc.). Referimo-nos, evidentemente, a traduções literais.






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