Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
Sobre a credibilidade das visões «históricas»

Os relatos de visões «históricas» relativas a factos, a pessoas e a lugares bíblicos e da tradição cristã podem ser tentadores. No entanto, a respeito disso, a certeza é esta: nenhum relato de visões supostamente históricas tem valor histórico! Estas visões, das quais existem muitos relatos ao longo da História, podem ser, apenas, projeções da mente com a idiossincrasia de quem diz tê-las. Não são, de modo algum, revelações divinas para a humanidade.

Se os escritos apócrifos dos primeiros séculos, produzidos num contexto muito mais próximo dos acontecimentos e tendo a possibilidade de ainda poderem transmitir alguma tradição fidedigna, não merecem crédito, como poderemos admitir a historicidade de relatos de visões (!) muito posteriores?

A revelação divina não garante a historicidade dos próprios textos bíblicos, que exprimem os condicionalismos histórico-culturais dos seus autores! Os próprios Evangelhos são narrações estereotipadas e até têm algumas pequenas contradições! Como poderemos nós, no século XXI, fazer História com base em relatos de visões, e, sobretudo, depois de termos conhecimentos muito mais seguros que negam a validade histórica do conteúdo delas?? Como poderemos nós acreditar que, além dos quatro Evangelhos canónicos, possa aparecer algum primeiríssimo de cinco Evangelhos, não baseado em relatos de testemunhas oculares, mas em meros relatos de visões, totalmente desligadas da realidade objetiva?!

Julgamos ser completamente desnecessário provar que os relatos das visões de Ana Catarina Emmerich, de Maria de Agreda, de Teresa Neumann e de muitas outras pessoas são totalmente fantasistas. Nem pela perceção extrassensorial devem ser tidos em conta tais relatos, afastados tantos séculos da época a que se reportam! (Como é possível acreditar na historicidade de visões de Ana Catarina Emmerich, cujo conteúdo ou não revela nada de novo, ou é inverosímil, ou é negado pela Arqueologia, por textos de autores antigos, pelo estudo da Síndone de Turim, etc...? São grossos volumes, cheios de complicadas narrações, de descrições oitocentistas e de complicadas relações familiares e profissionais, que mais parecem telenovelas em estilo pio!...)

Mesmo admitindo a grande santidade de vida de algumas pessoas que dizem ter tais visões, que nestas espelham o seu interior de profunda religiosidade, não podemos, todavia, conceder nenhuma credibilidade histórica aos relatos de tais visões. Nem sequer os estigmas na palma da mão de alguns místicos retratam a forma como Jesus foi pregado na cruz, mas projetam o modo como tais místicos imaginam que Ele foi pregado! Ora, as visões são muito menos objetivas!... O facto de conseguirem transmitir algum dado certo, não nos deve fazer acreditar nelas: de tantas coisas que dizem, alguma tinham de acertar!! Como é possível ainda haver quem acredite nisso?! Nenhum exegeta e nenhum historiador procuram informações históricas nos relatos de tais visões e não devemos pensar que a beatificação e a canonização confirmam a historicidade de tais relatos!

A única revelação divina pública, universal e definitiva já terminou há 20 séculos! Os próprios textos bíblicos são suficientes para mostrar o desinteresse divino pela satisfação de meras curiosidades humanas e não parece que Deus tenha mudado de ideias! Não nos deixemos, portanto, iludir por novas supostas revelações, demasiadamente afastadas dos acontecimentos.

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DVBITANDO, AD VERITATEM PARVENIMVS... ALIQVANDO!