Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
«Experiência de Quase Morte» (EQM)
Luz ao fundo do túnel

O fenómeno

Limita-se a designação de «experiência de quase morte» (EQM) às experiências que pessoas reanimadas do estado de «morte clínica» afirmam ter tido durante o tempo em que foram consideradas clinicamente mortas. Não é fenómeno recente, mas é muito mais frequente na atualidade, graças à evolução da medicina. Fala-se de vários milhões de relatos. Várias pessoas dizem ocultar as suas EQM, por receio de serem consideradas malucas.

Não repetimos aqui os inúmeros relatos pessoais deste fenómeno nem os resultados detalhados dos estudos que vão sendo feitos sobre ele. Apenas pretendemos fazer reflexões que não devem deixar de ser feitas.

Os inúmeros relatos têm vários elementos em comum, todavia são muito frequentes os elementos bizarros e surrealistas. As pessoas que afirmam ter tido tais experiências declaram com frequência a dificuldade em narrá-las corretamente. Talvez esta dificuldade justifique uma grande parte dos elementos estranhos e incompreensíveis. A julgar pelos relatos, estas experiências assemelham-se bastante aos sonhos, no entanto ressaltam diferenças muito significativas.

Em linhas gerais, uma típica «experiência de quase morte» pode ser dividida em 3 fases:

  1. Sensação de sair do corpo e de pairar sobre ele a alguma distância, observando o que acontece nesse local ou mesmo nos arredores. Esta fase costuma ser marcada por grandes sensações de paz, de tranquilidade e de leveza. É possível confirmar a coincidência entre o relato e o que se passou efetivamente nesta fase. Particularmente espantosos são os relatos de invisuais de nascença, descrevendo o que afirmam ter visto nesse momento, sem antes terem alguma noção do que são as sensações visuais.
  2. Sensação de ser sugado por um túnel com uma luz muito intensa do outro lado. Esse «Ser de Luz» é diversamente interpretado, segundo as crenças religiosas, sendo frequentemente identificado com Jesus.
  3. Julgamento pessoal. A pessoa sente passar toda a sua vida como num filme, lembrando-se de todos os atos que praticara, bem como das intenções com que os praticara e dos seus efeitos reais ou potenciais sobre as outras pessoas. Ao que parece, nesta visão panorâmica retrospetiva da própria vida, a pessoa é julgada de acordo com a religião em que seria suposto ter vivido. Depois de saber qual o destino merecido, a pessoa sente-se voltar ao corpo, nunca transpondo o limite a partir do qual a morte seria irreversível. Algumas pessoas relatam que, se não voltassem ao corpo, iriam para o Inferno, mas que Deus lhes deu uma nova oportunidade. Ao que parece, a entrada no Céu, no Inferno ou no Purgatório seria o limite do qual não há regresso.

Nem todos afirmam ter passado por estas 3 fases, sendo frequente passar só pela primeira.

De entre os elementos dominantes, referem-se:

  1. a presença de seres espirituais, identificados com pessoas já falecidas, incluindo familiares, ou com anjos;
  2. a capacidade de ver o íntimo das outras pessoas e de comunicar sem o uso de linguagem;
  3. a libertação das limitações resultantes do tempo e do espaço;
  4. a visão do abstrato, como se fosse concreto;
  5. a grande intensidade de certas emoções e perceções;
  6. e a severa condenação do suicídio.
Argumentos

Os relatos de EQM confrontam-nos com o que de mais importante se coloca aos seres humanos: a sobrevivência do espírito além da morte e a retribuição pelos atos praticados nesta vida. Todavia, há que ponderar os argumentos:

  1. Uma primeira evidência se apresenta perante todos: A morte é irreversível, mas as pessoas que relatam EQM foram reanimadas.
  2. Alguns relatos parecem bastante lógicos e coerentes, enquanto outros nos parecem surrealistas. Deveremos considerar vários tipos de EQM?
  3. Vários investigadores deste fenómeno tentam explicá-lo como resultado de fatores biológicos e psicológicos, afirmando que o cérebro reage de forma estranha ao ser confrontado com uma situação extrema, nomeadamente em resultado da falta de oxigénio e da presença de substâncias dopantes (como as endorfinas produzidas no próprio cérebro). Porém, é difícil compreender como o cérebro pode funcionar com falta de oxigénio, ativando tão poderosamente a memória nesse momento, vendo e ouvindo, quando nenhuma atividade cerebral se consegue registar.
  4. Das pessoas que passaram pelo estado de «morte clínica», só algumas é que relatam EQM. Será que as restantes não têm essa experiência, ou têm-na mas não se lembram dela?
  5. Como norma, as pessoas que tiveram uma EQM consideram-na uma confirmação da existência da vida para além da morte, pelo que melhoram significativamente o seu comportamento, tornam-se mais devotas, valorizam mais a sua própria vida e passam a dedicar-se mais aos outros. Por outro lado, esse novo comportamento não é necessariamente de uma postura religiosa mais de acordo com a ortodoxia; e muitos dos que tiveram EQM afirmam perder o medo da morte, o que nos parece um engano perigoso.
  6. Para serem autênticas experiências sobrenaturais, as EQM deveriam transmitir sempre conteúdos dentro da ortodoxia, claros e coerentes em assuntos de fé e de moral, mas, a julgar pelos relatos, não é assim que acontece. Entre os vários elementos impossíveis de terem origem sobrenatural, até existem relatos de previsões «apocalíticas» não concretizadas, como o anúncio do fim do mundo para 1988! Compreende-se que uma pessoa seja julgada segundo a religião em que seria suposto viver, contudo, numa autêntica experiência sobrenatural, Deus, ao dar uma nova oportunidade, certamente revelaria o caminho certo, ao contrário de muitos relatos bizarros de EQM.

Conclusões

  1. É inútil procurar alguma prova científica definitiva e irrefutável da existência da vida para além da morte. Para ter fé, é sempre necessário fazer esforço individual e ter «abertura interior», por mais evidentes que sejam as provas.
  2. Se numa situação de «morte clínica», sem registo de atividade cerebral, é possível sentir uma experiência tão marcante, é lógico concluir que, nesse momento, de alguma forma a consciência deixa de depender do funcionamento do corpo. Também se pode concluir que, se a consciência pode deixar de depender do funcionamento do corpo durante algum tempo, é porque pode deixar de depender eternamente do funcionamento do corpo, já que é este que a prende ao tempo e ao espaço. O mesmo é concluir que o espírito é indestrutível.
  3. Analisando uma quantidade significativa de relatos de EQM, não se pode considerá-los todos como experiências sobrenaturais de quem chegou ao limiar da Eternidade e contactou pessoalmente com Jesus. Por mais indestrutível que seja o espírito de cada ser humano, os elementos surrealistas e nada ortodoxos não podem ter origem sobrenatural. Resta, pois, considerar pelo menos uma grande parte deles como fenómenos parapsicológicos.
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